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Angola Fala Só - "O povo só come quando se aproximam as eleições"

  • Redacção VOA

Angola Fala Só - logo 2016

Ouvintes de todas as partes de Angola vieram ao “Angola Fala Só” descrever situações dramáticas mas também de esperança no país.

Devido à impossibilidade de se contactar a convidada para o programa, Joyceline Chiyaka, o Angola Fala Só abriu o microfone para que os ouvintes pudessem descrever a situação das províncias e cidades onde vivem.

Os ouvintes analisaram os mais diversos factores desde a falta de água e luz, o mau estado das estradas e o desemprego, até ao registo eleitoral.

Gaio Indelele de Benguela disse que no bairro 11 de Novembro onde vive desde 2005 há falta de electricidade.

“A condição do povo é algo de lamentar”, afirmou.

Já Carvalho Cavula que falava do Cuango na Lunda Norte descreveu um ambiente "de repressão", que se vive na província defendendo que “o governo que nos governa é o próprio inimigo do povo”.

Já Cristiano Ndunduma do Huambo disse que a juventude não tem possibilidade de emprego se não pertencer a estruturas do partido no poder.

Por outro lado, referiu que existem problemas no registo eleitoral e que “os sobas estão instrumentalizados”, pelas autoridades embora na sua opinião “desta vez a fraude vá ser difícil”.

Na opinião de Ndunduma, as autoridades têm a tendência de melhorar os serviços quando se aproximam as eleições: “O povo de Angola só come quando se aproximam as eleições, a juventude só tem emprego quando se aproximam as eleições”.

Desemprego é um problema

Luani Maturi que falou de Malanje disse que um dos problemas em se conseguir emprego é a falta de bilhete de identidade porque muitos cidadãos não têm registo civil, enquanto Braz Daniel no Bié queixou-se em primeiro lugar da "situação crítica" das estradas por falta de manutenção.

Daniel disse que o mau estado das estradas era responsável por vários acidentes fatais.

Por outro lado, denunciou a corrupção dos serviços da polícia de trânsito em que a polícia confisca carros em operações stop.

Braz Daniel disse ainda que muitos não conseguem autorização de serviço de táxi apesar de terem todos os documentos em ordem porque não pagam subornos.

“Eu já vi mais velhos a chorarem”, exemplificou, referindo-se a um caso de um veículo confiscado pelas autoridades.

Nova Consciência

No que diz respeito à situação de emprego Braz Daniel afirmou que “emprego é só para quem tem padrinho na cozinha”.

Contudo o ouvinte do Bié manifestou optimismo quanto à possibilidade de mudança: “A expectativa é que vai haver um novo presidente”.

Antunes Cassinda de Luanda lembrou que para aqueles que «vivem na “periferia” de Luanda a situação é “lastimável”.

Nos hospitais “às vezes nem agulha ou ligaduras têm”, contando que ele próprio teve que recentemente deslocar-se ao hospital e teve que ir procurar medicamentos fora do mesmo.

Contudo, manifestou esperança de mudanças pois “os angolanos estão a ganhar nova consciência”.

Apesar de reconhecer haver em Angola uma “cultura de medo”, Cassinda apelou a um diálogo aberto pois “para mudarmos o país temos que falar a verdade”, pedindo depois que todos os angolanos com o apoio das igrejas se unam para exigir a formação de uma “comissão de verdadeira reconciliação”.

“Precisamos de homens capazes para libertar o país”, afirmou.

Um fiscal do registo eleitoral por parte da UNITA, Beto Kamuango, afirmou que na sua área de fiscalização na Kibala, Kwanza Sul, o processo de registo tinha decorrido normalmente e sem problemas.

Contudo, Kamuango revelou que noutras áreas muitas pessoas ficaram por registar.

O ouvinte da Kibala disse que um problema para as eleições é o facto dos órgãos de informação serem controlados pelo governo.

“Não temos voz”, rematou.

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