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Angola Fala Só no Namibe - Há diálogo com o governo, dizem líderes religiosos


À esquerda, Kuvialeka Paulo, Vigário-Geral da Igreja Católica no Namibe, ao centro, moderador João Santa Rita, à direita, Simão Joaquim Mavanda , Pastor Metodista e Secretário-Geral da CICA, Conselho das Igrejas Cristãs de Angola no Namibe .

À esquerda, Kuvialeka Paulo, Vigário-Geral da Igreja Católica no Namibe, ao centro, moderador João Santa Rita, à direita, Simão Joaquim Mavanda , Pastor Metodista e Secretário-Geral da CICA, Conselho das Igrejas Cristãs de Angola no Namibe .




A situação em Angola está a melhorar mas há ainda um longo caminho a percorrer, disseram dois dirigentes religiosos do Namibe, o Vigário Geral da Igreja Católica Kuvialeka Paulo e o Pastor Metodista e dirigente do Conselho das Igrejas Cristãs de Angola, Simão Mavanda.

Falando no programa Angola Fala Só, gravado perante uma audiência no Namibe, ambos dirigentes religiosos frisaram também que o papel da igreja não é apoiar partidos políticos mas sim contribuir com sugestões ou críticas quando necessário para o bem estar de todos os angolanos.

Kuvialeka Paulo disse ser óbvio que há muita reconstrução de infra-estruturas através do país, algo que disse ser um “processo inacabado” mas em que “a intensão está presente”.

O Vigário Geral disse haver ainda também um “certo desfasamento nas relações entre os partidos políticos e os cidadãos” e “até uma certa intolerância”.

“Na reconciliação ainda há uma estrada a percorrer,” disse o vigário.

“ As armas pararam mas a na reconciliação social e económica temos um longo caminho a percorrer,” acrescentou.

O Pastor Mavanda concordou que se pode constatar “a olho nú” o que o governo angolano tem vindo a fazer em termos de reconstrução.

“É difícil fazer tudo de uma vez mas em poucos anos conseguimos ver que muito está a melhorar,” disse, afirmando que “isso é uma realidade”.

Para Mavanda a própria realização do censo “revela preocupação em controlar” a situação económica do país e que “ em tempo haverá um maior equilíbrio” social hoje dividido pelas enormes diferenças entre ricos e pobres.

Tanto Kuvialeka como Mavanda concordaram que a igreja em Angola tem um papel social de peso tanto na educação como na saúde e ambos concordaram que o papel das igrejas não é a de tomar posições políticas de apoio partidário.

Para o Pastor Mavanda a igreja “não pode ser parceira” do estado sendo sim “um árbitro”.

A igreja, disse, deve ver as injustiças sociais e “ corrigir onde está mal, aconselhar os governantes e não criar desavenças ou atacar este ou aquele partido”.

“Se há actos de injustiça o líder eclesiástico deve corrigir e afirmar que não se deve proceder dessa forma,” disse afirmando que isso deve ser feito através do diálogo com as instituições do estado.

Mavanda deu um exemplo concreto de como uma situação dramática de fome numa zona do Namibe o tinha levado a contactar um administrador que de imediato se prontificou a tentar corrigir a situação.

O vigário Kuvialeka Paulo disse que a “a missão da igreja é sempre a mesma,
nomeadamente fazer o homem mais livre, mais feliz, menos sufocado pelas vicissitudes da vida e promover o bem comum”.

“ A evangelização diz respeito a todas as áreas da vida humana, politica, social, cultural e religiosa,” disse e rejeitou acusações de a igreja tinha em ocasiões apoiado um outro partido.

“Ter um político dentro da igreja não é fazer política,” disse.

“Os políticos também são religiosos, a maioria dos militantes do MPLA no Namibe são cristãos,” afirmou acrescentando que “há momentos para o diálogo com os fiéis quer sejam políticos ou não”.

Kuvialeka Paulo disse que o papel da igreja é também o “ de estar solidário com os mais pobres, com os menos equipados, com os que sofrem”.

“Todos devemos trabalhar para superar isso,” disse o vigário católico que frisou haver um diàlogo com o governo “através de órgãos existentes” como o conselho de concertação que existe no Namibe.

O pastor Mavanda concordou que “dentro da igreja há gente de diversos partidos políticos”.

“A igreja é apartidária e não vamos admitir que um dos partidos políticos faça política na igreja,” disse o pastor para quem a missão da igreja não é fazer poltica e por isso “em nenhum momento vou falar de partidos políticos”.

“Falamos do governo mas não estamos para enfatizar o partido A ou B,” disse.
“Essa não é a nossa missão,” acrescentou.

A conversa com a audiência versou também questões como a corrupção dentro da igreja e o peso da igreja na sociedade e na política.

Clique aqui para ter acesso ao arquivo do programa

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