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Angola Fala Só -"Em Angola sobrevive-se; não se vive".


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Esta Sexta-feira o Angola Fala Só esteve de "microfone aberto"

Ouvintes do “Angola Fala Só” descreveram uma situação de vida difícil através do país com um deles a afirmar que o país “vai de mal a pior”.

“Nós não vivemos; limitamo-nos a sobreviver”, disse o ouvinte Pedro Gonga de Luanda.

Ao contrário do que é habitual o “Angola Fala Só” desta semana foi feito em sistema de “microfone aberto” em que durante o programa os ouvintes foram convidados a dar o seu parecer sobre a situação nas suas províncias e no país em geral.

Um tema de preocupação comum a quase todos os ouvintes foi a situação dos serviços de saúde particularmente no que diz respeito à falta de medicamentos nos hospitais.

Isto leva a que os doentes sejam obrigados a adquirir os medicamentos em farmácias privadas a preços elevados que o ouvinte Eduardo Quenquele da Lunda Norte disse serem muitas delas propriedade de directores dos hospitais ou seus familiares.

O ouvinte Jorge Gomes do Uíge concordou afirmando que muitos angolanos não têm posses para comprar esses medicamentos nas farmácias privadas.

“Muitas pessoas morrem”, disse Gomes.

Este ouvinte, tal como muitos outros, queixou-se da falta de emprego e referiu que existe como que um esquema de corrupção em que tem que se pagar para se obter emprego em empresas estatais.

Isso, disse, tem efeitos perniciosos na educação porque essa corrupção “não aproveita os talentos”.

Este mesmo ouvinte, um veterano das FALA, falou também sobre a situação dos desmobilizados afirmando que sobrevive vendendo carvão e que os seus filhos não podem continuar os seus estudos porque ele não tem os meios para os apoiar.

“Estão sentados aqui em casa”, disse descrevendo a sua situação de “incrível”.

“O pai lutou e não tem nada, é incrível”, acrescentou.

O ouvinte José Sabalo do Kwanza Sul que foi militar das FAPLA concordou. Esteve nas forças armadas de 1975 a 1992 e agora não recebe qualquer pensão de reforma.

Sabalo disse que muitos ex-combatentes não têm qualquer documento e “muitos sentem-se revoltados”.

A recente declaração do ministro da justiça angolano o qual afirmou que os direitos humanos e o direito á manifestação são respeitados em Angola foi criticada por alguns ouvintes.

“Até as crianças começaram a rir”, disse o ouvinte João Moreira do Bié, antigo tenente nas forças armadas que recordou a repressão de uma recente manifestação em Benguela.

Para Moreira a recente prisão de 15 activistas acusados de uma tentativa de golpe de estado não faz sentido.

“Fui tenente e sei que um golpe de estado não se faz com lápis e um computador”, disse.

Este antigo militar sugeriu que para a resolução dos vários problemas de Angola, o executivo deveria consultar e pedir a opinião dos outros partidos no parlamento.

“Eles podem ter ideias que podem ajudar,” disse acrescentando que o governo se tem mostrado incapaz de resolver só por si vários dos problemas da sociedade angolana.

O governo não conhece a realidade de Angola disse acrescentando “só conhece o petróleo”.

Uma preocupação de ouvintes em algumas cidades foi o crescente problema do lixo, com companhias a reduzirem a colecta do mesmo devido a problemas financeiros.

Pedro Gonga de Luanda disse que em partes da cidade algumas ruas são agora intransitáveis

“Estamos chocados com isso”, afirmou o ouvinte Pedro Gionga.

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