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Angola Fala Só - "A esperança já morreu faz tempo"

  • Redacção VOA

Gelson Kassanga dá voz a denúncias de ouvintes.

Desemprego juvenil, incumprimento de promessas eleitorais, abandono dos desmobilizados de guerra, falta de água e luz e deficiências no registo eleitoral foram temas que dominaram a edição desta sexta-feira, 7, do Angola Fala Só, na VOA.

“A esperança morreu faz tempo em Angola”, afirmou Gélson Edgar Kassanga, estudante do Namibe, para quem “não há qualquer alternativa para os jovens, que não têm acesso à escola, não têm acesso ao primeiro emprego e muito menos a uma bolsa de estudos ou qualquer outro tipo de oportunidade".

Por esses motivos, Kassanga apontou o alto índice de criminalidade no Namibe, onde, por exemplo, “temos aula de informática, mas nunca vimos um computador”.

Os jovens, “que não conhecem a democracia porque não há”, continuou aquele ouvinte, estão de costas viradas para este Governo “porque, pelo menos no Namibe, fica sentado e não faz nada”.

O desemprego juvenil foi também citado por Vicente Fonga Kukumabuta Buta e Ariosvaldo Veloso, ambos de Luanda, como “o principal problema de Angola, um país rico, com tudo, mas que apenas pertence a alguns”.

Veloso foi mais longe e apontou o desemprego juvenil como “a causa da delinquência e por isso não os condeno porque cabe aos governantes criar oportunidades”, enquanto Buta queixou-se do elevado preço dos colégios “que não podemos pagar aos nossos filhos”.

Sendo Angola um país rico, ele lamenta ainda que os “poderosos e seus familiares tenham tudo e o povo esteja a viver de migalhas”.

Buta, tal como outros ouvintes que ligaram de Luanda, queixaram-se das enormes deficiências no fornecimento ou na total falta de água e energia electrica, com Luís Giboa a perguntar porque não é implementado em todo o país o cartão pré-pago, “como na Namíbia que funciona e muito bem”.

Ela lamentou que a Empresa Nacional de Distribuição de Energia (ENDE) prometa “há muito” a implementação do cartão pré-pago, apesar de estar em funcionamento em alguns bairros.

Registo eleitoral: fazer ou não

Agostinho Silva, que também vive na capital angolana, criticou o registo eleitoral em curso realizado “apenas como meio de propaganda, para mostrar à comunidade internacional” porque, para ele, o Governo não está interessado nas eleições, caso contrário, “trabalharia a favor do povo para que fosse recolocado no poder”.

O processo de registo e actualização eleitoral dominou grande parte do programa, com ouvintes a divergirem nas suas opiniões.

Alguns defendem que os angolanos devem registar-se “para poderem votar e mudar este regime”, como Vicente Fonga Kukumabuta Buta, enquanto Miguel Mateus, do Moxico, diz “que não faz qualquer sentido”.

Mateus também acusa as autoridades de não estarem interessadas na realização de eleições e denuncia a “ausência de tudo no município dele”.

A este propósito, lembrou que as pessoas “não estão a registar-se porque estão fartos de promessas” e apontou o caso de uma ponte na região onde mora prometida nas eleições anteriores, mas desde então “nunca mais se falou dela”.

Promessas por cumprir

Também Beto Camati, da Huíla, lamenta as promessas e diz não haver desenvolvimento “quando não há luz, não há água, não comunicações e a economia está em crise.

Devido à crise económica, Pedro Monteiro, que vive em Benguela, foi para o desemprego depois de empresa petrolífera em que trabalhava ter fechado as portas.

“Criei uma empresa de pintura mas não há clientes e estou à procura de um emprego por conta de outrem”, contou, Monteiro que lamenta o facto de “Angola ser um país sem organização e onde as coisas não funcionam”.

“O registo eleitoral é um processo mafioso”, denunciou Pedro Panzo, da Huíla, para quem em Angola a “inconstitucionalidade tornou-se viral” porque as “elites não respeitam nada”

Ainda sobre o registo eleitoral, Cláudio Tchipengue, de Kwanza Sul, diz que está repleto de irregularidades porque está “controlado pela Casa Militar da Presidência da República que tem uma brigada junto de todos os pontos de registo eleitoral para registar pessoas do MPLA”.

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