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Angola Fala Só - Carlinhos Zassala: "Devemos despartidarizar a consciência nacional"

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Professor Universitário Carlinhos Zassala

Professor Universitário Carlinhos Zassala

O ensino em Angola atravessa uma crise que requer uma conferência nacional para se encontrar uma solução, defendeu o Professor Carlinhos Zassala no programa Angola Fala Só, da VOA.

Zassala é psicólogo,professor universitário e secretário da primeira Região Académica do Sindicato dos Professores Universitários que recentemente escreveu ao Presidente da Republica Eduardo dos Santos a pedir que ajude a resolver a questão das suas reivindicações.

O professor disse que o ministro do Ensino Superior não tinha dialogado sobre as reivindicações dos professores e tomado atitudes hostis para com o sindicato, mandando, por exemplo, encerrar a sede nacional e dando ordens para não haver colaboração com o sindicato.

Interrogado sobre o que faráo sindicato caso o Presidente não responder ao memorando, o professor Zassala recusou-se a fazer especulações.

“Estamos convencidos que o Presidente vai reagir”, disse Carlinhos Zassala que recordou que no seu recente discurso sobre o estado da Nação José Eduardo dos Santos sublinhou a necessidade de privilegiar a educação.

Interrogado por um ouvinte do Uíge que alegou que bolsas do estudo no estrangeiro só são concedidas a estudantes ligados a membros do partido no poder, o professor Zassala concordou que “não há critérios transparentes”, mas acrescentou que “muitos conseguem”, incluindo estudantes de poucas posses.

Outra questão levantada por alguns ouvintes foi a presença de professores estrangeiros no país. Um deles queixou-se de professores cubanos que não falam português o que dificulta a compreensão.

O professor Zassala disse que os professores estrangeiros que ensinam em Angola deveriam ter que cumprir certos critérios como o facto de serem professores nos seus próprios países e dominarem a língua portuguesa.

De momento, disse, há situações em que “qualquer desempregado no seu país começa a dar aulas” em Angola.

Carlinhos Zassala referiu-se também durante a sua conversa com os ouvintes à fraca preparação dos estudantes que entram no ensino superior

“Considero o ensino superior como o ensino secundário prolongado”, disse o professor que fez notar a falta de infra-estruturas como uma das razões para o fraco nível da educação em Angola

“Há instituições onde nem sequer há uma biblioteca”, disse.

“Quando os professores não lêem, quando os alunos não lêem como é que vão corrigir os erros?”, interrogou o professor que referiu ainda que em muitas instituições superiores “não há supervisão académica no fim do ano”, não há laboratórios, só aulas teóricas sem prática”.

Tudo isso, disse, “é um problema sério que deve merecer uma conferência nacional para encontrarmos uma solução”.

Para o professor “o ensino em Angola não tem os patamares desejados”, recordando que níveis que deveriam ser alcançados no final da escola primária não são alcançados no final do ensino secundário.

“Isto é um problema de todos nós”, disse afirmando que todos devem participar na procura de uma solução, incluindo as igrejas que continuam a possuir escolas de valor.

“Devemos despartidarizar a consciência nacional”, disse o professor, afirmando que na educação “deve-se dar prioridade à ciência” e “não deve haver politicas discriminatórias”.

Carlinhos Zassala defendeu também a necessidade do estudante ser “um líder e não um analfabeto político”.

“Não estou a falar de política partidária ou de politiquices”, disse, mas sim da capacidade de liderar e entender o funcionamento da sociedade.“Muitos dos estudantes são analfabetos políticos”, concluiu Carlinhos Zassala.

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