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Angola Fala Só em Benguela: "Há privilegiados na agricultura"

  • Redacção VOA

Cooperativas podem ser uma solução para a produção agrícola em Benguela.

A falta de apoio, de crédito e equipamento são algumas das dificuldades que os agricultores enfrentam em Benguela.

A agropecuária foi tema de debate do Angola Fala Só em Benguela, no dia 23 de Abril, em que os convidados foram o agricultor Francisco Kapingana e o técnico de desenvolvimento agrícola Inácio Gil Tomás.

Em debate estiveram os principais desafios do sector nesta província angolana.

Kapingana disse que nos apoios concedidos pela banca e pelo governo “há privilegiados” embora tenha reconhecido que “ninguém consegue contentar todos”.

O agricultor afirmou que crédito agrícola é muitas vezes concedido a pessoas que depois “vão investir noutros lados”.

Já Inácio Gil Tomás disse que tem havido avanços tecnológicos na agricultura em Benguela como a rega “gota-a-gota” e o uso de estufas.

Contudo permanecem grandes dificuldades como a falta de assistência técnica e custos “muito elevados”.

Neste aspecto Francisco Kapingana disse que muitas vezes o mercado não tem capacidade para absorver o custo de produtos que os agricultores têm que cobrar devido ao súbito e grande aumento desses custos.

Inácio Gil Tomás Tomás disse que a agricultura em Benguela tem “problemas da estruturação da cadeia produtiva”.

“Nem todos os elementos dessa cadeia estão a exercer o seu papel”, afirmou fazendo, exemplificando que “a transformação do produto é quase inexistente quando outrora havia produção e havia transformação”.

Este especialista criticou também a “mentalidade assistencialista” que existe entre muitos agricultores algo que disse ser “fruto do mono partidarismo”.

Contudo defendeu o uso de cooperativas para os agricultores.

“O acesso ao crédito não vai ser alcançado por um produtor sozinho, tem que ser alcançado através de estruturas que vão defender interesses colectivos”, afirmou sublinhando no entanto que uma cooperativa “tem que funcionar como uma empresa”.

“Ter um terreno comum não é a forma mas adequada de cooperativismo”, acrescentou.

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