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Angola Fala Só - Aniceto Cambango: "MPLA está preparado para alternância"

  • Redacção VOA

 Aniceto Abel da Cunha Cambango, sociólogo

Aniceto Abel da Cunha Cambango, sociólogo

A manutenção das lideranças é um fenómeno africano e em Angola tem a ver com a história recente do país e dos partidos.

O MPLA é um partido que não teme a concorrência política, na óptica do sociólogo Augusto Cunha Cambango, convidado da edição desta sexta-feira, 9, do programa Angola Fala Só, da VOA.

“Ao realizar eleições de forma regular e admitir a concorrência, o MPLA quis dizer que está disposto a perder ou a ganhar eleições “, defendeu Cambango que, no entanto, advertiu que “o poder conquista-se”.

Durante a conversa que manteve com os ouvintes, que, no entanto, colocaram questões antes de Augusto Cambango estar em linha devido a dificuldades de comunicação, aquele professor universitário respondeu a três classes de perguntas: a manutenção das lideranças dos partidos políticos, em particular no MPLA, o registo eleitoral que pode indiciar fraude e o desemprego juvenil.

“A recondução das lideranças partidárias é um fenómeno africano, mas que acontece em vários outros países”, começou por dizer Cambango, que deu o exemplo de “um líder de um partido português que foi eleito por mais de 95 por cento dos delegados.

No caso de Angola, aquele analista social considera que esse fenómeno também se deve ao facto de esses líderes “estarem associados a factos importantes da história dos partidos e do país, como a luta pela independência e a guerra posterior, bem como a fundação das organizações políticas”, lembrando que, no caso dos dois principais partidos, as actuais lideranças assumiram o poder depois da morte dos anteriores líderes.

MPLA em fase de transição

Questionado sobre o facto de apenas no MPLA não ter havido concorrência para a liderança do partido, Augusto Cambango discordou de alguns ouvintes que disseram que tal se deve ao “medo do Presidente José Eduardo dos Santos”, como referiu Matos Nsimba, do Uíge.

“Os delegados do MPLA, assim como os da UNITA e da CASA-CE, consideram que a um ano das eleições seria melhor manter as actuais lideranças, por isso todas tiveram mais de 80 por cento dos votos”, afirmou Cambando, destacando que, no caso do MPLA, “os delegados levaram em conta a dimensão nacional e não só do Presidente para reconfirmar a sua liderança”.

O partido no poder, segundo a análise do nosso convidado, “está em fase de transição e, com certeza, está aberto a outras propostas no futuro”, lembrando que “há jovens capazes de se afirmarem , como tem dito o líder da organização juvenil do partido”.

Augusto Cambango defendeu a necessidade da democracia e do país não depender apenas dos políticos, mas de todos, “em particular dos jovens que devem mostrar o seu potencial”, inclusive no desenvolvimento económico.

Desemprego juvenil preocupante

Neste particular, e frente a questões sobre o elevado desemprego, “provocado pelo MPLA que brincou com o dinheiro de Angola”, como citou Paulo Tchitunda, Cambango reconheceu que a situação “é difíci e preocupante” e lamentou a suspensão de concursos nas áreas de educação e saúde.

O professor universitário, no entanto, justificou essa suspensão com o facto de “ser um problema transversal a todos os países em que o Estado é maior empregador”, uma situação que piora quando há crise económica, como é o caso de Angola.

Frente a opiniões que sugerem que o registo eleitoral pode estar a abrir caminho para a fraude eleitoral, Augusto Cambango, refutou tal leitura e lembrou que “os partidos da oposição estão a pedir aos seus militantes que adiram ao registo, o que significa que confiam no processo”.

Para Cambango, por questão de logística o registo eleitoral está a ser feito pela administração, mas acredita que no futuro será enviado à Comissão Nacional Eleitoral.

Acompanhe o programa aqui:

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