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Angola Fala Só - Amadeu Amorim: "Vamos chegar à democracia"


Amadeu Amorim

Amadeu Amorim

“Não podemos dizer que Angola vive na democracia mas estamos a caminho disso”, disse o nacionalista angolano Amadeu Amorim.

Num animado e didáctico “Angola Fala Só” esta figura histórica do nacionalismo angolano discutiu com os ouvintes várias questões desde a luta de libertação, aos diferendos sobre o valor de datas históricas, à actual situação no país e ainda a música angolana.

Amadeu Amorim esteve 10 anos preso depois de ter sido um dos réus julgado em 1959, no que ficou conhecido para a história como o “Processo dos 50”.

Foram na verdade três processos políticos contra activistas angolanos que se iniciaram a 29 de Março de 1959 com as prisões de vários nacionalistas e terminaram a 24 de Agosto do mesmo ano com a última das 50 prisões. Amadeu Amorim fez parte do segundo processo de elementos ligados ao Movimento para Independência de Angola e acabou por passar 10 anos em diversas prisões.

Amadeu Amorim foi também co fundador do grupo musical N'Gola Ritmos que oferecia música de significado duplo que as populações podiam entender como críticas à situação que se vivia no tempo colonial.

Um dos ouvintes quis saber qual era a verdadeira data do início da luta de libertação nacional, se 3 de Fevereiro como reivindicado pelo MPLA ou 26 de Março como afirma a FNLA.

“O importante é que começou a luta”, frisou Amadeu Amorim para quem “é preciso manter o espirito de Fevereiro e Março” entre todos os angolanos.

Interrogado sobre se considerava Angola como uma democracia Amorim afirma que “não podemos dizer que somos democratas”.

“Temos 22 anos de idade (como democracia multipartidária) e por isso somos aprendizes da democracia”, disse referindo-se ainda ao facto de grande parte da população ser analfabeta, o que dificulta o exercício da democracia.

“Mas vamos chegar lá,” afirmou o nacionalista acrescentando ser necessário que todos dêem “uma ajuda respeitando a democracia, respeitando a liberdade dos outros”.

“Estamos no bom caminho mas precisamos que caminhemos de mão dadas”, frisou.

Para Amadeu Amorim a democracia angolana a ser criada não será uma democracia que imite os padrões europeus ou americanos .

“Vamos criar a nossa democracia, com as nossas raízes e a nossa cultura”, salientou.

O convidado do Angola Fala Só foi questionado sobre o período de partido único que seguiu á independência notou que isso não aconteceu só em Angola.

“Não estávamos democratizados e era preciso segurar a população”, disse acrescentado “alguém tinha que ensinar e um dos caminhos era o partido único”.

Amadeu Amorim disse que com qualquer partido no poder “é preciso apertar os governantes para que não saiam do seu caminho”, acrescentando a certo passo que “nós (o povo) é que temos que ditar”.

O nacionalista disse que não pode no entanto haver qualquer dúvida que a situação dos angolanos hoje é melhor do que antes da independência.

“Temos as nossas escolas, as nossas universidades, viajávamos, temos os nossos passaportes”, afirmou.

Como músico Amadeu Amorin revelou ter gravações do grupo N’Gola Ritmos, que têm valor histórico, mas que até agora não encontra alguém que passe essas gravações “em fita” para CD.

Como forma de valorizar a música de Angola propõe “um dia em que só se cante música angolana” mas avisou que não se deve permitir que “ a música angolana seja vulgarizada”.

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