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Angola Fala Só - Alexandre Neto: "Demissão de Sebastião Martins é para proteger o Presidente"


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A demissão do director do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) Sebastião Martins destina-se a proteger a Casa Militar da Presidência e o Presidente Eduardo dos Santos, disse o jornalista Alexandre Neto, Presidente em Angola do Instituto dos Media da Africa Austral, MISA – Angola.

Embora o Governo não tenha explicado as razões da demissão de Martins, ela é vista como decorrente das investigações ao desaparecimento e morte dos activistas Isaías Cassule e Alves Kamulingue, que estavam a tentar organizar manifestações a favor de antigos militares.

A Procuradoria-Geral da Republica anunciou a prisão de quatro pessoas em relação ao caso e, segundo outras fontes, pelo menos uma delas é um destacado funcionário do SINSE.

Falando no programa Angola Fala Só, Neto disse que Martins é “o elo mais fraco a quem se vai incutir responsabilidades”, fazendo notar que quando se deram os raptos de Kamulingue e Cassule, o director do SINSE “encontrava-se no estrangeiro”
“O objectivo (da demissão) é proteger a Casa Militar e o presidente,” disse.

Respondendo ao ouvinte Diniz Kanjole, de Benguela, que manifestou dúvidas quanto à possibilidade de ocorrerem mudanças em Angola, Neto disse que os angolanos “têm que se envolver na política”.

“Não vale a pena aos angolanos ficarem indiferentes”, disse, acrescentando que “compete aos angolanos envolverem-se” nas questões nacionais que os preocupam.

O jornalista concordou que em Angola “a democracia tarda em ser materializada”, mas isso, disse, não constitui desculpa para a indiferença.

“Há a necessidade dos angolanos tomarem a consciência de qe têm que tomar decisões,” disse.

Falando de Luanda, o ouvinte Paulo Kalunga queixou-se do facto de não ser possível ouvir emissões de rádios estrangeiras através de emissoras locais ou em FM, algo que Alexandre Neto disse ser mais uma indício de que “vivemos numa ditadura disfarçada” onde “ não há liberdade de imprensa”.

Neto fez notar que, de acordo com a própria lei de imprensa de 2006, essa legislação deveria ter sido regulamentada no espaço de 90 dias, mas tal nunca aconteceu.

“O chefe do Executivo não cumpre a lei”, disse Neto que descreveu essa situação como “um mau exemplo que vem de cima”.

O presidente da MISA-Angola defendeu a “diversificação” dos donos de estações de rádio para se impedir que sejam pessoas “ligadas à Radio Nacional de Angola” aquelas que tenham outras oportunidades.

O presidente da MISA-Angola disse que um dos objectivos do controlo da informação é impedir que o trabalho da oposição não seja divulgado.

“O propósito é fazer criar a imagem de que a oposição não trabalhada e não existe,” disse.

O ouvinte Justino Júlio, do Bié, abordou a questão do favoritismo partidário na função pública afirmando que no local onde vive os directores de escolas são militantes do partido no poder ,o MPLA.

Alexandre Neto afirmou que “o resultado da discriminação partidária é a incompetência”.

A oposição tem bons quadros que não são utilizados, disse Neto.

“A promoção pela militância tem consequências negativas, nomeadamente a incompetência”, afirmou o presidente da MISA – Angola que fez também notar um outro problema dessa política de “promoção pela militância”: o desemprego.

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