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ANGOLA FALA SÓ - Afonso Kileba: "Há dinheiro suficiente para saúde, problema é falta de transparência na sua gestão"


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O “Angola Fala Só” desta semana teve como convidado Afonso Kileba, secretário-geral adjunto do Sindicato dos técnicos de enfermagem de Luanda. As perguntas dos ouvintes que participaram giraram todas em redor de questões de saúde.

Segundo Kileba há varias deficiências no sector da saúde em Angola, mas não porque falte dinheiro ao sector. Há problemas com hospitais que são montados, mas não tem nem médicos, nem técnicos, nem medicamentos suficientes para as populações que devem atender. Há necessidade de se regulamentar a carreira da enfermagem, cuja “carreira é ainda hoje polemica em Angola” segundo afirmou o nosso convidado respondendo ao ouvinte Paulo Baiona de Cabinda.

É também necessário formar mais médicos – o país conta com pouco mais de 6 mil médicos segundo o nosso convidado pelo que há “escassez de médicos” em geral, situação que se agrava ainda mais em termos de médicos especialistas, o que leva muitos angolanos a procurarem tratamento noutros países, como a República Democrática do Congo, segundo o ouvinte Gilberto Massony.

Sobre a falta de medicamentos, questionado por Joao Carlos, da Lunda Norte, e Ismael Martins do Kwanza Sul o técnico de enfermagem disse que tal como a existência de hospitais sem os quadros necessários, o mesmo acontece com os medicamentos, porque se tem que atender à localização da unidade hospitalar e avaliar as populações que deve atender e doenças das populações que atende. Kileba opinou que um dos grandes problemas não é que falta dinheiro para atender à necessidades de saúde, mas sim de pessoal qualificado para gerir e manter as unidades de suade, pois que neste momento elas são geridas pelos administradores municipais que não conhecem o quadro de saúde.

A falta de médicos reflecte-se por exemplo no atendimento em hospitais onde na maior parte dos casos a pediatria está constantemente superlotada, o que leva a que os médicos sejam encaminhados para este sector e deixem de poder atender doentes de outras idades – segundo Kileba respondendo Feliciano Bombita de Luanda que lamentou a forma como os técnicos de saúde atendem os doentes mais velhos.

Respondendo a Agostinho Capitango o nosso convidado disse que o problema genérico da falta de postos de saúde em sanzalas, por exemplo, se repete em muitos outros pontos do país e de novo se deve não necessariamente há falta das estruturas (i.e. hospitais, postos de saúde) mas de profissionais da suade.

É necessário dar-se incentivos para que a saúde volte a atrair profissionalmente os angolanos porque tem sido salários baixos a não valorização do tempo de serviço e a não valorização da formação que tem levado as pessoas a não optar por uma profissão nesta área.

Serafim Chicomo deixou a pergunta porque em mais de uma década de paz não se usou o dinheiro que antes ia para o esforço de guerra na saúde e assim a situação teria melhorado. Ao que Kileba respondeu que dinheiro é suficiente, o problema é a transparência na gestão desse dinheiro.”

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