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Angola Fala Só - João Guerra: "Só não vê progressos em Angola quem não quer"


Angola primeiro secretàrio do comité municipal do MPLA no Namibe João Guerra (à esquerda)

Angola primeiro secretàrio do comité municipal do MPLA no Namibe João Guerra (à esquerda)




Só não vê progressos em Angola quem não quer ver, disse o primeiro secretário do Comité Municipal do MPLA no Namibe, João Guerra.

Num animado e ás vezes “quente” Angola Fala Só, gravado na cidade do Namibe, Guerra defendeu acerrimamente o governo do MPLA afirmando que o estado angolano “está a criar condições sociais para todas as pessoas sem olhar para o seu credo religioso, os seus pontos de visita políticos, o seu estatuto social ou económico”.

“O governo de Angola trabalha para todos os angolanos,” disse aquele dirigente local do MPLA que é também membro do Comité Central deste partido.

A gravação do programa foi feita num hotel da cidade do Namibe perante uma audiência de cidadãos locais e em certas ocasiões resultou numa troca animada de opiniões sobre responsabilidade pela destruição durante a guerra civil em Angola.

“Alguém lembrou-se de partir Angola, de ´somalizar´ Angola de reduzir Angola a pó,” disse João Guerra que acusou também indirectamente a Voz da América de não ser imparcial perante a situação no país.

“ A Voz da América tem que por os pontos nos i e os traços nos T, de forma a que quem ouve a Voz da América possa ouvir aquilo que nós dizemos,” disse.

“Eu quero que aquilo que estou a dizer passe na Voz da América,” acrescentou.
Pressionado por um dos membros da audiência sobre a responsabilidade das destruições e mortes durante a guerra, o dirigente local do MPLA disse contudo “ que isso tudo está encerrado desde 2002”.

“Não sonhem mais com o diabo, esses problemas acabaram,” disse.

Um outro ouvinte recordou que tinha sido o próprio presidente Eduardo dos Santos que tinha afirmado que na guerra em Angola não houve “nem vencedores nem vencidos”, enquanto um outro membro da audiência disse quem embora fosse jovem e não soubesse os pormenores da guerra “ o mais importante é que as pessoas esqueçam daquilo que aconteceu”.

“Se continuarmos com isto não vamos longe,” disse o ouvinte no que foi aplaudido por João Guerra.

O militante do MPLA defendeu o papel da China no desenvolvimento de Angola afirmando que após a guerra quando Angola precisava de financiamento “ o único que nos deu a mão foi a China”

João Guerra recordou que Angola tinha sido destruída pela guerra pelo que o governo “não tinha outra alternativa senão contactar um país que nos pudesse ajudar.

Outro problema abordado durante o encontro foi o da situação dos veteranos das diversas forças armadas, muitos dos quais afirmam continuar a não receber qualquer compensação monetária como previsto nos acordos de paz.

O primeiro secretário do comité municipal do MPLA disse o governo tem demonstrado “uma grande abertura pra tentar resolver este problema”.

“Tenho a certeza que este problema não ser resolvido na Voz da América,” disse, afirmando ainda que um dos problemas com que as autoridades se debatem é a fraude de pessoas que reivindicam o estatuto de veterano quando não o são.

“É preciso dizer também que nós devemos ser o país no mundo onde os antigos combatentes aumentam todos os dias,” disse afirmando que “o problema dos veteranos resolve-se falando com o Sr. Ministro, com o ser director provincial e não na Voz da América”.

Interrogado sobre recentes deserções na Namibia de elementos de partidos da oposição para o MPLA disse que isso acontece “porque todos sabem que o MPLA é o partido da independência, é o partido da democracia, é o partido das liberdades”.

Para João Guerra outra razão é que os partidos da oposição não têm uma visão claro da realidade angolana.

“Como é que as pessoas se vão rever em membros de umpartido que vê a ponte, atravessa ponte e depois diz que o governo nºão construiu a ponte?” interrogou.

Clique aqui para ter acesso ao arquivo do programa

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