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Escritores angolanos lamentam falta de apoios


Jovens angolanos reunidos na União de Escritores em Luanda.

Jovens angolanos reunidos na União de Escritores em Luanda.

A cada dia que passa novos escritores angolanos vão surgindo, colocando o seu tijolo na construção permanente do mosaico literário angolano. O país independente desde 1975 e, em paz de 2002, é fértil para criação literária.

O modo de vida das pessoas, as diferentes culturas e grupos etno-linguísticos preenchem o espaço territorial da nação rica em petróleos e outros minerais. Proporciona aos seus filhos, criadores de histórias e inventores de estórias, um ambiente propício para uma tradução perfeita das vivências em “belas artes”. Todavia, diz o escritor e jornalista Armindo Laureano, a falta de incentivo apaga a chama do talento que há em muitos e bons esritores paridos pela pátria de Agostinho Neto.

O autor do áudio livro “Um ano de Vivências”, lamenta a insuficiência de apoios para para criação literária.

«Não é fácil porque nós temos pouco apoio e incentivo à criação literária. Do ponto de vista de estratégias e de apoio das próprias instituições (não há) e nem todas estão abertas e receptivas a apoio. São muitas as dificuldades que se atravessam para colocarmos um livro no mercado literário».

Da mesma opinião partilha o escritor Divaldo Martins para quem a dificuldade não passa apenas pela carência de apoio, mas também, pela ausência de leitores que não existem porque ainda se regista em Angola a escassez de bibliotecas, livrarias e outras plataformas para distribuição dos livros em vários pontos do país. Sendo que, diz o antigo jornalista, muitas são as províncias onde quase não existem livrarias. “Isto faz com que ser escritor seja ainda mais difícil porque os investidores e as editores acabam por decidir apostar menos na literatura em detrimento dos livros técnicos que têm mais saídas na academia», disse, o autor de “Vidas de areia” para quem “ser escritor é extremamente difícil.

Para Divaldo Martins os que persitem em escrever fazem-no porque gostam, «não porque esperam algum benefício material ou reconhecimento. Cada vez mais ser esritor é visto como um apêndice».

Armindo Laureano é autor de três livros nomeadamente “Um ano de vivências (áudio livro)” 2013, “Vivências, o que esperas da vida (áudio livro)”, “Esssências e vivências” (Crónicas). Para é ele, do ponto de vista financeiro ser escritor em Angola não compensa daí que o objectivo primário não seja o lucro financeiro, mas sobretudo cultural.

O antigo apresentador de TV revela que outra questão que concorre para o fracasso tem a ver com o preço dos livros e as políticas de comercialização.

«Nosso objectivo primário não é ter receitas com a venda de livros, mas um lucro mais cultural. Porque nós acreditamos no valor do nosso trabalho e pensamos que esta geração e as vindouras vão valorizar o trabalho que fazemos. Se tivêssemos que pensar no lucro já teríamos desistido», revelou.

Para divulgação de obras de escritores nacionais e incentivar os cidadãos ao gosto pela literatura, o governo angolano desenvolveu o projecto Lêr Angola, que promove o lançamento das colecções clássicos da literatura angolana e clássicos infantis.

O programa promove a venda de livros ao preço de 500 kwanzas, sendo parte dos livros são destinados à oferta a instituições ligadas aos Ministérios da Educação e Cultura, além de associações de caridade.

Mas, mesmo assim está a faltar incentivos para que haja investidores no ramo da literatura, quem assim defende é o coordenador do Projecto Lêr Angola.

Divaldo Martins salienta que é preciso que se faça das belas artes um sector atractivo, onde haja mercado, daí que defende a obrigação do Estado em potenciar as indústrias livreiras, como forma_não apenas de incentivar a leitura tornando o livro e, todos os custos de produção, distribuição e acesso mais baratos_, todavia, como um factor importante para alavancar a economia nacional.

«O Estado tem um papel fundamental, criando condições para tornar o livro numa verdadeira indústria. Mas já há também um conjunto de estratégias e medidas que foram adoptadas para que hoje o livro sconstitua uma indústria e sinónimo de captação de riqueza para economia do país».

O livro deve ser adoptado como um instrumento político. A literatura deve fazer parte dos sectores da identidade nacional como a música e a dança. Divaldo Martins advoga a adopção de uma política cultural que assuma uma estratégias interna e externa para o livro.

Esta política do livro deve passar pela promoção de leitores e na transformação dos maus escritores em bons, e dos bons em melhor. E, é nesta perspetiva que surge o projecto Lêr Angola.

Para que o livro seja mais valorizado, Armindo Laureano defende o incentivo à cultura do mestre mudo que passa pela criação de hábitos de leituras nas escolas e na tenra idade. Laureano critica por outro lado a ausência de espaços de promoção de livros e de incentivo à leitura nos meios de comunicação social de Angola.

«Nós temos vários canais de televisão, mas nenhum ligado essencialmente ao livro», assegurou.

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