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Angola: Ensino Superior continua a deixar muito a desejar

  • Agostinho Gayeta

Reconhecendo as debilidades do ensino universitário, o presidente José Eduardo dos Santos garantiu estar em curso a construção de cerca de trinta centros de pesquisas em todo país.

Pelo terceiro ano consecutivo universidades angolanas ficam fora do raking das cem melhores do continente africano por falta de qualidade. Analistas entendem que este afastamento das unidades orgânicas angolanas revela o fracasso das políticas do governo para o Ensino Superior.
Pelo menos até 2005 Angola contava apenas com uma única universidade pública, a Universidade Agostinho Neto, fundada em 1976.

Há cerca de cinco anos que o país tem estado a conhecer um aumento significativo de instituições do ensino superior, contabilizando-se actualmente sete universidades públicas e seis institutos superiores distribuídos pelas várias regiões académicas de Angola. Em relação as prividas são contabilizadas doze universidades e dez institutos superior reconhecidos pelo estado. Uma evolução bastante considerável em termos quantitativos, segundo o Coordenador da 1ª Região Académica Luanda_Bengo Carlinhos Zassala, mas que não se reflecte na qualidade de serviço prestado à sociedade.

O docente universitário diz que isto deve representar uma grande preocupação tanto para os académicos como para os discentes.
Carlinhos Zassala recua no tempo para recordar que os problemas do ensino superior em Angola estão ligados ao facto do país não aderir à Convenção de Arusha (cidade da Tanzánia), que defineu as balizas para o ensino universitário no continente africano.

Apesar das várias recomendações tanto a nível nacional como internacional e regional da SADC para aderir a este importante protocolo, o governo angolano faz resisitência, o que configura para o académico Carlinhos Zassala uma disparidade em relação as grandes universidades africanas.

O investigador e docente da Universidade Católica de Angola Nelson Pestana Bonavena olha com alguma apreensão o surgimento de muitas instituições do ensino superior sem a mínima preocupação com a qualidade e o seu perfil.
O Jornalista e docente universitário Celso Malavoloneke aponta vários aspectos fundamentais que as instituições de ensino superior precisam ultrapassar, entre os quais a qualidade e a quantidade de docentes com perfil e competência suficiente para satisfazer a demanda. O docente junta aos aspectos acima referidos a investigação científica.

O ranking de 2013 das 100 melhores universidades de África publicado em Outubro deste ano, pelo site Faculdades e Universidades Internacionais não confirmou nenhuma Universidade Angolana.
Entre as do top 10, constam cinco universidades Sul-Africanas, nos lugares cimeiros, seguidas pelas Universidades de Dar es Salaam, Tanzânia em sexto lugar, do Cairo (Egito), em sétimo lugar, de KwaZulu-Natal (África do Sul) oitavo, The American Universidade do Cairo, ( Egito) em nono e Makerere University, (do Uganda) em décimo lugar.

Reconhecendo as debilidades do ensino universitário resultante da ausência de centros de estudos e de investigação científica e de laboratórios o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, no seu mais recente discurso sobre o Estado da Nação garantiu estar em curso a construção de cerca de trinta centros de pesquisas em todo país.

Olhando para o raking das melhores universidades africanas, o docente universitário Celso Malavolonke afirma que mais do que regredir foram as universidades dos outros países que aceleram o seu rítimo de crescimento e respectiva evolução nos mais variados aspectos. O Jornalista faz também referência a ausência de planos estratégicos de pesquisa, assim como a falta de verbas e investimentos a médio e longo prazo para investigação científica em Angola.

Entre os critérios técnico-científicos imprescindíveis para classificação das melhores universidades de África constam o número de publicações em revistas científicas, prémios para pesquisadores, publicações de docnetes e discentes e igualmente o número de teses defendidas em cada ano.

A última vez que se registou a presença de uma universidade angolana no raking das cem melhores de África foi há sensivelmente quatro anos. A Universidade Católica de Angola teria cumprido com os critérios exigidos para constar da lista das melhores do continente berço, mas dela para cá, ao que tudo indica deixou de reunir os requisitos e nenhuma outra universidade angolana conseguiu alcançar esta classificação.

Sobre os critérios estabelecidos, o Investigador e Coordenador do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, Nelson Pestana Bonavena aponta a falta de exigências na abertura das universidades, da parte de quem gere o sector como um dos factores que levam Angola a estar fora do raking das melhores universidades. Bonavena pensa por outro lado que a falta de apetrechamento das insituições e materias de apoio contribui de que maneira para que as insituições do país não tenham uma óptima avaliação.

Ainda em relação aos indicadores de qualidade o Coordenador da 1ª Região Académica Luanda_Bengo Carlinhos Zassala diz que a política de investigação científica em Angola não incentiva a pesquisa. Zassala vai mais longe e diz que há instituições do ensino superior em Angola em funcionamento que não têm condições, pelo que deviam ser encerradas caso o país aderisse ao Protocolo de Arusha.

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