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Angola longe de terminar processo de desminagem


Princesa Diana no Huambo, com crianças vítimas de minas, em Janeiro de 1997

Princesa Diana no Huambo, com crianças vítimas de minas, em Janeiro de 1997

Dez anos depois do fim da guerra civil em Angola, o país ainda continua, apesar dos seus melhores esforços, um dos mais afectados do mundo com minas terrestres não explodidas. Angola devia terminar o processo de desminagem em 2013, mas o governo angolano pediu uma extensão de cinco anos para completar a tarefa.

Cautelosamente, metro a metro, o desminador verifica se o terreno está livre de minas e de outros engenhos não explodidos.

Muitos aldeões da zona de desminagem operada pela ONG norueguesa Ajuda Popular vivem aí há muito tempo. Abandonaram a área durante a luta e voltaram quando a guerra civil terminou em 2002, apenas para encontrar a sua terra pejada de minas.

Mas a principal mudança de vida dos aldeões está ainda por chegar. A equipa de desminagem que lá trabalha há dois meses, a apenas 15 metros da aldeia, localizada a cinco horas distância da capital, Luanda, está a trabalhar para dar acesso ao tanque de água localizado no meio do campo de minas. Em breve terão finalmente água a correr nas torneiras, pela primeira vez em décadas.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), mais de 80 mil pessoas em Angola foram estropiadas por minas terrestres desde que a guerra civil principiou em 1975 e milhares de outras morreram. Um em cada oito angolanos vive em comunidades afectadas por minas e 30 anos de guerra polvilharam todas as províncias com minas.

E agora que as pessoas estão sendo recolocadas e reclamando mais terra para a agricultura, a pressão e alta com os trabalhos de desminagem.

O chefe da ONG Ajuda Popular, Francisco Nonda, disse que os desminadores dependem também dos aldeões para lhes dizer onde e que minas e outros engenhos explosivos estão enterradas.

A ONG norueguesa trabalha com a comissão nacional de desminagem CNIDAH, que coordena os esforços das equipas desminagem.

O chefe de operações da CNIDAH, brigadeiro Roque de Oliveira, disse que o governo tem colocado um grande esforço na desminagem porque e crucial para o desenvolvimento do país.

Para além da agricultura, o país e a região têm também o potencial do turismo. A poucos quilómetros das minas terrestres estão as terceiras maiores quedas de água em África. Há 10 anos poucas pessoas se aventuravam a ir lá. Hoje, tornou-se um local popular para os angolanos e estrangeiros visitarem.

O governo angolano pediu recentemente uma extensão de cinco anos para terminar a desminagem, argumentando que apenas 40 por cento do trabalho foi completado na última década.
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