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Comunidades do Cunene e Huíla buscam socorro em Luanda

  • Manuel José

Rio Cunene

Rio Cunene

Alertam que confiscação de terras pode levar a suícidios e violência.

Vários membros de comunidades do Cunene e da Huila estão em Luanda para pedir ajuda das autoridades governamentais para que lhes sejam devolvidas as suas terras.

Em causa estão várias superfícies de terras em Ombaja, região sul e sudeste de Curoca, no Cunene, e outras localidades da província da Huila, em que 39 comunidades, que perfazem mais de duas mil famílias, em risco de perderem suas terras e quase 700 mil cabeças de gado a favor de projectos locais.

Isaias Tchiponguenhe disse que ele e outros deslocaram-se a Luanda para ''lamentar a expropriação das nossas terras e viemos apelar as autoridades da nação para se deslocarem até à nossa região a fim de encontrarmos uma solução para este problema''.

''Estamos a ser vítimas de expropriação de terras, estamos a ver as máquinas a partir das matas com a polícia a fazer disparos quando as pessoas aparecem, as nossas crianças não querem ir à escola, com medo dos disparos feitos, as árvores todas foram partidas, o capim para o gado foi arrastado, a devastação é grande e estamos a sofrer'', acrescentou.

A acompanhar a Luanda veio Domingos Fingo, da Associação Construindo Comunidades (ACC), que avisa que poderá haver suicídios e violência caso a situação não for resolvida.

''As comunidades estão em alvoroço porque temem perder as suas terras para sempre”, disse, acrescentando que “essas comunidades não estão habituadas a viver em aldeias por causa da criação de gado que precisa de áreas vastas de terras”.

“Perdendo as suas terras perdem tudo, muitos deles pretendem suicidar-se devido ao desespero de serem trasferidos para outras zonas tendo que começar tudo de novo, onde podem não ter água para o gado e cultivo”, disse.

“Vai ser muito complicado, daí o desespero levar a muitos a optarem pela violência'', concluiu aquele activista.
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