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Angola: Familiares de Cassule e Kamulingue dizem que promessas não foram cumpridas

  • Manuel José

Sem corpo, nem certidões de óbito, nem ajuda às esposas e órfãos..

Ja lá vão quatro anos desde que foram assassinados os activistas Isaias Cassule e Alves Kamulingue.

Os seus assasinos foram condenados, mas os familiares dos activistas dizem que continuam à espera de certidões de óbito, dos corpos e do apoio prometido aos órfãos.

Jerónimo Cabral, tio de Alves Kamulingue que acolheu a viúva e os filhos do sobrinho assassinado em 2012, diz que os familiares têm-se deslocado à Procuradoria-Geral da República, como fizeram hoje, para saber sobre o paradeiro do corpo do seu ente querido e também das certidões de óbito.

''Precisamos dos certificados de óbito, até agora não existem, queremos os corpos, é intenção de qualquer família africana fazer o enterro condigno de seu ente querido para certificar a morte'', disse

''O que ficou da informação das próprias autoridades é que Kamulingue levou dois tiros na cabeça, mas não dizem onde meteram o corpo, o Cassule, dizem, foi atirado ao rio Dande aos jacarés”, continuou Cabral.

“Então passem a certidão de óbito,” acrescentou.

Outras promessas que ficaram por cumprir, segundo os familiares das vítimas, são os apoios às viúvas e filhos que a Procuradoria-Geral da República prometeu em nome do Estado angolano.

''Houve promessas de cédulas de identificação para as crianças órfãs e cuidados com a escolaridade das mesmas que até hoje não foram cumprdas”, lamentou.

“Hoje mesmo, que falo, a viúva de Kamulingue para se deslocar a um trabalho de "biscato" que tem teve de me pedir dinheiro para o táxi, as crianças órfãs estão em minha casa, não receberam até agora nenhum tipo de apoio, elas sobrevivem praticamente do bocado que vamos conseguindo aqui e ali'', lamentou o tio de Alves Kamulingue

Da Procuradoria Geral da Republica ninguém se pronuncia sobre o assunto.

A 26 de Março de 2015, sete membros do serviço de inteligência de Angola foram condenados pelo Tribunal Provincial de Luanda a pesadas penas de prisão pelo assassinato dos activistas Isaías Cassule e Alves Kaulingue em 2012.

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