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Angola: Casamentos prematuros poderão ser “bico-de-obra”

  • Amâncio Miguel

Casamento Prematuro - Imagem ilustrativa de uma boneca para bolos de noiva

Casamento Prematuro - Imagem ilustrativa de uma boneca para bolos de noiva

Angola não está na lista dos países com os piores casos de casamentos prematuros e gravidezes precoces em África, mas as organizações de saúde reprodutiva e direitos da mulher preparam-se para evitar o alastramento, em particular nas zonas rurais.

“A gente vê a situação de casamentos prematuros como um ´bico-de-obra´, porque afecta meninas que ainda estão a crescer e engravidando correm o risco de abortar,” conta Miguel Madeira, do Centro de Apoio Juvenil, organização que promove a saúde reprodutiva no país.

A questão de aborto, acrescenta Madeira, torna-se preocupante “porque não conseguindo serviços especializados, as meninas marginalizam-se e vão ao clandestino, colocando em risco a sua vida ou provocando a infertilidade”.

Para evitar isso, esta organização faz campanhas de informação para os jovens nas comunidades e procura convencer os mais velhos para evitarem forçar as suas filhas a casar antes de crescerem.

Tal como noutros países do continente, em Angola os casamentos prematuros, na maioria dos casos consentidos pelos pais, limitam as oportunidades das meninas, além de submetê-las a um ciclo de violência.

Fernanda Ricardo, da Rede Mulher, está particularmente preocupada com o facto de nalguns casos as meninas serem forçadas a casar com homens mais velhos e polígamos.

“Não é uma coisa boa. O homem é o patrão, chefe de tudo, e se viver com VIH pode contaminar até cinco dessas suas mulheres. E alguns desses homens têm idade dos avós dessas meninas.”

Fernanda lamenta a ocorrência desses casos e critica algumas práticas que favorecem: “Em certas comunidades, é comum um homem mais velho dizer a uma mulher grávida que a filha que vais ter será minha mulher. E se nascer, a menina cresce a saber que já tem marido…e aos 12-13 anos vai para a casa desse marido”.

Tal como o Centro de Apoio Juvenil, a Rede Mulher trabalha para eliminar práticas que colocam em risco o futuro das meninas, neste país com escassa informação sobre o assunto.

Dados das Nações Unidas indicam que a África Subsaariana, região onde Angola se localiza, tem os índices mais elevados de casamentos prematuros no mundo, com 40% de meninas casando antes dos 18 anos. Mais de 700 milhões de mulheres no mundo estão nessa situação.

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