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Centenas de mensagens SMS contestam José Eduardo dos Santos

  • Alexandre Neto

A polícia angolana tomando posição junto à Praça de Touros de Luanda, onde, no sábado passado, tinha sido convocada uma conferência de imprensa

A polícia angolana tomando posição junto à Praça de Touros de Luanda, onde, no sábado passado, tinha sido convocada uma conferência de imprensa

Olhar com indiferença o que se passa na Líbia parece ser a estratégia oficial

Movimento de contestação

Foram hoje postas a circular, em Angola, muitas centenas de mensagens de SMS, apelando a um levantamento popular. Entre elas: “Depois de Gadhafi, é hora de JES (José Eduardo dos Santos). E ainda: “32 anos é muito” lê-se num dos escritos que está a circular por via do SMS.

Não obstante, olhar com indiferença o que se passa na Líbia parece ser a estratégia oficial.
Sobretudo com dois bons eventos a decorrer e a concentrar as atenções dos angolanos :
o campeonato africano de basquetebol em Madagáscar e o aniversário do presidente angolano, a assinalar-se no próximo dia 29, este último evento praticamente transformado numa festa nacional. São factos explorados politicamente.

As emissoras do Estado destacam a cobertura das actividades comemorativas do aniversário de Dos Santos com anúncios na Rádio e TV com emissão obrigatória, o que não é permitido a nenhum outro partido político em Angola.

A falta de electricidade ajuda a que a maioria dos angolanos não tenha livre acesso à informação. O interior do país é praticamente um mundo á parte de Angola. O acesso aos canais internacionais fica caro nalguns casos.

Num quadro como este os direitos dos angolanos são repetidas vezes sonegados e, silenciosamente!

Entretanto são os jovens os mais interessados nos acontecimentos pelo mundo. Seguem-lhe o exemplo. Têm convocada uma manifestação para o próximo dia 3 de Setembro.

Segundo Alexandre Santos da organização deste movimento, vão reivindicar pela retirada do poder de Eduardo dos Santos, também a retirada do rosto das notas do kwanza, a moeda nacional, contestar a violação do Artigo 107) da Constituição, entre outros argumentos.

As autoridades estão avisadas faz tempo. É um desafio a sua própria capacidade de resposta neste género de acontecimentos. A própria polícia tem sido acusada de ser instrumentalizada para reprimir actos de manifestação pública.

No sábado passado, o "rapper" Carbono Casimiro e quatro outros indivíduos foram detidos pela Polícia Nacional de Angola, no Largo adjacente à tourada em Luanda, local para onde tinha sido convocada uma conferência de imprensa. Os profissionais de imprensa não escaparam e o correspondente da VOA em Luanda foi um dos jornalistas levados para a esquadra.

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