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Combate à corrupção em Angola visa a arraia-miúda

  • Agostinho Gayeta

Combate à corrupção em Angola visa a arraia-miúda

Combate à corrupção em Angola visa a arraia-miúda

Académicos e políticos afirmam que o fenómeno é promovido e consentido pelos gestores de cargos públicos ao mais alto nível

A sociedade angolana está preocupada com a má governação e com o avanço de fenómeno da corrupção em Angola.Deputados da oposição, políticos e académicos falam da ausência de transparência, má gestão do erário público e da galopante corrupção em vários sectores da vida do país.

Académicos e políticos afirmam que o fenómeno é promovido e consentido pelos gestores de cargos públicos ao mais alto nível do aparelho do Estado.

O economista Filomeno Vieira Lopes fala de dos contextos em que a corrupção evoluiu em Angola. O académico destaca, a título de exemplo, a apetência às coisas do poder para o benefício pessoal e aponta a concentração do poder económico do país e o tráfico de influência desde os primeiros anos da independência nacional.

A docente universitária Mihaela Weba afirma que se, por um lado, foi instituído um novo sistema económico em Angola, por outro, foram aprovadas várias normas que punem os actos de corrupção. Mas,na sua visão só aplicadas a quem não faz parte do círculo do poder. Para ela, a legislação angolana contra os actos de corrupção é elaborada para terceiros, onde são vítimas os que chamou de arraia-miúda.

Sobre o mesmo assunto, o jurista Lindo Bernardo Tito deve defende uma viragem da pirâmide no que toca ao cumprimento da legislação angolana contra a corrupção. Lindo Bernardo Tito fala de inrequecimento ilícito de uma minoria em detrimento da maior parte da população angolana.

Por seu turno, o Secretário Nacional da JMPLA, Sérgio Luther Rascover reconhece que o fenómeno no país é preocupante, mas pede coerência na análise da actual situação política do de Angola.

O também deputado à Assembleia Nacional pelo MPLA, partido no poder, pensa que se deve valorizar o facto do titular do poder executivo em Angola ter afirmado com frontalidade em discurso público a abordagem da corrupção como um fenómeno preocupante para o país.

E o activista cívico, padre Pio Wakussanga julga que a corrupção em Angola é um expediente que faz parte do processo de prolongamento e longevidade do poder.

No entender daquele activista, o crescimento do fenómeno da corrupção no país está ligado ao poder político.

Por outro lado, a Jurista Mihaela Weba diz que o fenómeno da corrupção política em Angola é a principal fonte de sustento da corrupção económica que deve ser combatida.

Por seu lado, Silvestre Gabriel Samy, deputado à Assembleia Nacional pela UNITA, maior partido na oposição em Angola, julga que a corrupção no país atingiu níveis endémicos, mas ainda assim tem solução. O presidente da bancada do “Galo Negro” no Parlamento questiona o facto do crescimento e desenvolvimento económico do país não se traduzir na qualidade de vida dos angolanos.

Para o economista Filomeno Vieira Lopes a lei da probidade administrativa em Angola tem sido aplicada de forma parcial, apesar de haver no país gestores de cargos públicos de base a serem julgados em tribunal nos últimos tempos. Mas, chama atenção ao facto do crime por razões económicas estar a aumentar no país por questões políticas.

O Secretário Nacional da Juventude do MPLA pede uma coerência e exame de consciência sobre a actual realidade do país comparando com o seu estado há dez anos. Sérgio Luther Rascover pensa que muito tem estado a ser feito. O deputado aponta como exemplo a aprovação de leis que visam o combate a corrupção, mas reconhece que muito ainda deve ser feito.

A reflexão de políticos e académicos sobre o crescimento do fenómeno da corrupção em Angola.

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