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Analistas questionam presença de mediadores no diálogo moçambicano

  • Ramos Miguel

Afonso Dhlakama e Filipe Nyusi

Afonso Dhlakama e Filipe Nyusi

Governo e Renamo indicam mais personalidades para a comissão mista.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, nomeou nesta terça-feira, 28, três individualidades que vão reforçar a equipa do Governo nas negociações para o fim da crise política e militar no país.

Na semana passada, a Renamo tinha anunciado o "reforço" da equipa, mas analistas questionam o envolvimento dos mediadores no processo.

António Hama Thai, ex-chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e actual deputado da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Alfredo Gamito, ex-deputado, e Edmundo Galiza Matos, deputado e porta-voz da bancada da Frelimo juntam-se, assim a Jacinto Veloso, Benvinda Levi e Alves Muteque na equipa que representa o Governo nas negociações com a Renamo.

Na semana passada, a Renamo anunciou a indicação de Jeremias Pondeca, Maria Joaquina e Leovegildo Buanacasso, para se juntarem a José Manteigas, Eduardo Namburete e André Majibire, três membros do principal partido de oposição que vêm negociando com o Governo desde maio com o Governo, para o fim da crise no país.

As equipas do Governo e da Renamo têm a missão de preparar o encontro entre o Presidente da República e o líder da Renamo, visando um acordo para o fim dos confrontos entre as forças de defesa e segurança e os homens armados do principal partido de oposição, no centro do país.

Dúvidas

Entretanto, o diálogo político entre a Renamo e o Governo de Moçambique poderá ficar emperrado na questão da mediação, porque tanto a África do Sul como a União Europeia vivem momentos de conturbação político-social.

A Renamo insiste na questão da mediação e forçou o Governo a ceder à sua exigência.

O analista Fernando Mbanze diz que esta exigência da Renamo faz sentido, "porque não há condições para as duas partes negociarem sem mediadores".

Por seu lado, o jornalista Fernando Gonçalves considera que a missão desses observadores chegou ao fim, mas nada não foi feito porque a Renamo não criou condições para que isso acontecesse.

"Esperemos que desta vez a Renamo não volte a fazer o mesmo e permita que os observadores façam o seu trabalho sem impedimentos", afirma.

Entretanto, o académico Calton Cadeado sublinha que quando se analisa a questão da entrada de mediadores nos processos negociais é preciso ter em conta que isso deve ser de mútuo acordo.

Cadeado tem reticências em relação a isso por causa dos argumentos que aparecem para justificar um determinado tipo de bloqueio, sublinhando ser necessário analisar a situação interna na África do Sul.

"Quererá a África do Sul, neste momento de conturbação interna, dedicar parte da sua energia para discutir assuntos dos outros. Mesmo dentro da África do Sul quem é a pessoa que vai ser de consenso entre as duas partes"?, interrogou-se aquele académico.

O mesmo pode-se dizer em relação à União Europeia, entidade que neste momento está a sofrer um abalo, na sequência da decisão do Reino Unido de abandonar aquela união.

Refira-se que os convites já foram enviados às entidades escolhidas pela Renamo para a mediação do diálogo político com o Governo.

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