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Alexis Tsipras, da esquerda radical, coliga-se com direita nacionalista na Grécia

  • Redacção VOA

Panos Kammenos e Alexis Tsipras

Panos Kammenos e Alexis Tsipras

Mercados caem depois da vitória de Alexis Tsipras.

A coligação entre o Syriza, que venceu as eleições de ontem, 25, na Grécia e o partido Gregos Independentes vai governar a Grécia, segundo o acordo estabelecido hoje.

O líder do Syrisa Alexis Tsipras foi empossado hoje primeiro-ministro.

Os dois partidos chegaram a acordo esta manhã depois de uma reunião entre Alexis Tsipras e Panos Kammenos, da direita nacionalista, que declarou que o seu partido deu o «voto de confiança» ao Governo.

Com 149 deputados eleitos, o Syriza necessitava de mais dois assentos parlamentares para reunir maioria absoluta.

Nas eleições legislativas de ontem, o Syriza, partido radical de esquerda, venceu com 36,32 por cento dos votos e conquistou 149 cadeiras no Parlamento, a apenas duas da maioria absoluta no parlamento.

O Nova Democracia, do actual primeiro-ministro, Antonis Samaras, ficou em segundo, com 27,9 por cento, na frente do neonazista Aurora Dourada que, mesmo com a maioria dos seus líderes na cadeia, conseguiu manter a marca de 6,35 por cento.

Alexis Tsipras, líder do Syrisa, comemorou a sua chegada ao poder em Atenas com promessas renovadas de acabar com uma era que chama de “austeridade desastrosa” imposta pela União Europeia nos últimos cinco anos.

O resultado deve fazer de Tsipras, aos 40 anos, o mais jovem primeiro-ministro do país nos últimos 150 anos. Ele celebrou a vitória e reforçou as promessas de campanha, como o aumento do salário mínimo, a abolição de impostos para os mais pobres e a negociação da dívida externa, que atinge os 300 mil milhões de euros, ou seja 175% do PIB.

"O sol voltou a brilhar para a Grécia. Fizemos história e deixamos para trás a austeridade depois de cinco anos de humilhação. Temos uma grande oportunidade para um novo início numa nova Europa", disse o novo chefe do Governo de Atenas que prometeu uma “nova solução viável”.

Horas antes, o primeiro-ministros Antonis Samaras reconheceu a derrota, não sem alfinetar o adversário: "Os gregos falaram e respeitamos sua decisão, deixo um país que está a sair da crise e é membro da União Europeia e da zona do euro. Pelo bem deste país, espero que o próximo Governo mantenha estas conquistas".

A resposta foi rápida. Na abertura dos mercados asiáticos a cotação do euro caiu para o seu menor patamar em 11 anos. Na Bolsa de Tóquio, a moeda recuou para 1,1135.

Com a crise na zona do euro, as eleições gregas ultrapassaram as fronteiras do país têm implicações directas no futuro da União Europeia. O partido vencedor é totalmente contrário à política de austeridade imposta pelo bloco e promete ir na contramão das políticas mais caras a Bruxelas.

O risco de a Grécia, endividada, abandonar a zona do euro existe. E por isso, os ministros das Finanças da União Europeia já convocaram para amanhã, 26, uma reunião para avaliar as possibilidades de negociação.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi um dos poucos líderes europeus a se pronunciar sobre o resultado, afirmando que ele “aumenta a incerteza económica na Europa”.

Nascido como uma coalizão de 13 grupos e partidos que inclui maoistas, trotskistas, comunistas, ambientalistas, social-democratas e populistas de esquerda, o Syriza tinha pouca força eleitoral até 2012. Entretanto, o aprofundamento da crise económica no país levou-o à marca de 27 por cento dos votos naquele ano, passando os sociais-democratas e tornando-se, assim, a segunda força política da Grécia e a principal voz da oposição.

Seguindo as determinações da UE, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu, o governo de Samaras implementou uma série de medidas de austeridade, como aumento de impostos e cortes de gastos, em troca de um pacote de resgate para a economia grega. Mas o resultado não foi capaz de recuperar a economia e parar o empobrecimento da classe média.


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