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Em Nampula, albinos vivem com medo

  • Adina Sualehe

Tribunal condena dois homens a 16 anos de prisão por tentativa de assassinato de um albino.

O tribunal da província de Nampula, em Moçambique, condenou nesta semana Nélson Estevão e Bernardo Martins, de 25 e 29 anos de idade, respectivamente, a 16 anos de prisão cada por rapto e tentativa de assassinato de um albino.

Trata-se de um caso que ocorreu em Outubro do ano passado no distrito de Mecuburi e é a segunda condenação de casos relacionados a raptos e assassinatos de albinos emNampula.

A vítima é Eleutério João, que até à data do rapto vivia na casa do cunhado Inácio Francisco, tio de Nélson Estevão, um dos condenados.

Eleuterio João foi apanhado quando saia da mesquita, tendo um dos traficantes o convidado a transportar uma carga pelo qual seria remunerado, mas surpreendentemente o amarraram e levaram para a mata.

Quando a policia apercebeu-se da movimentação fez-se passar por comprador, o que culminou com a detenção dos traficantes.

Durante a leitura da sentença pelo juiz Dimas Maroa, ficou-se a saber que os cidadãos pretendiam traficar os órgãos do albino.

Agora, além da pena de prisão de 16 anos, eles terão de indemnizar a vitima no valor de 200 mil meticais.

Esta é a segunda condenação de casos relacionados a raptos e assassinatos de albinos em Nampula.

Em Maio, Dimas Marroa foi implacável ao condenar a 40 anos de prisão os assassinos de um albino em Topuitho.

O músico Ali Faque, portador de albinismo e que falava em representação dos albinos, disse estar satisfeito com a sentença, mas lamentou "o facto das autoridades ainda não conseguirem deter os mandantes dos crimes".

Por isso, diz, "os albinos vivem com medo".

O advogado defesa Arlindo Muririua defende que a policia de investigação criminal deve trabalhar seriamente a fim de se encontrar os mandantes do crime porque se a situação se mantiver os albinos continuam a correr um enorme risco.

Importa referir que a perseguição, raptos e assassinatos de albinos são motivados por crenças e superstições, segundo as quais os albinos são fonte de riqueza.

Entretanto a medicina tradicional e a ciência negam que os albinos tenham poderes especiais.

Recentemente o Governo de Nampula e organizações não governamentais marcharam em repúdio a esta prática.

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