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Águas do mar desalojam famílias na Beira


André Baptista

As águas do mar voltaram a invadir, agora com uma frequência singular, um bairro de caniço e outras luxuosas moradias, na cidade da Beira, em Sofala, desalojando centenas de famílias, que são forçadas a pernoitar em varandas de prédios próximos.

Esta região é desde há alguns anos largamente atingida pela erosão costeira, o que tem permitido que grandes ondas, associadas à subida do maré, projectem quantidades de água do mar aos bairros da Praia Nova e Chaimite “B”, uma área habitacional de caniço com problemas de ocupação desordenado, e parte da Ponta-Gêa, uma zona residencial de elite.

“Desde 2013 vivemos afogados, quando a maré enche tiramos as famílias para a rua (na zona alta) e quando baixa regressamos. Todos os bens ficam em cima do tecto, e só tiramos quando for para confeccionar os alimentos”, disse Custodio Cláudio, um morador do bairro caniço, que se surpreende pelo rápido avanço da erosão costeira.

A invasão das águas do mar descortinam a pobreza nos dois bairros de caniço, com um grave défice de saneamento – as poucas latrinas disputam espaço com poços tradicionais – numa guerra titânica que o Conselho Municipal trava contra saneamento e a erosão costeira.

“Há três dias que as águas invadem as casas toda a manhã e tarde”, declarou Luísa Evaristo, receando que uma catástrofe venha a acontecer “quando as águas invadirem a noite e crianças ou adultos desaparecerem”.

Evaristo apelou contudo que as autoridades da Beira encontrem um lugar para reassentar os moradores dos dois bairros, que, disse, “não esperavam que a erosão avançasse tão rápido” até as zonas habitadas, não distante ao mercado de referência na venda de pescados e do ponto de partida e chegada das embarcações de cabotagem de pequeno porte, que tiveram o comércio encerrado devido á inundações.

A cidade da Beira foi instalada sobre um pântano, na confluência dos rios Púnguè e Búzi, e abaixo da cota do nível do mar, estando agora a enfrentar uma guerra sobre o avanço das águas do mar, por um lado devido a obstrução dos canais e esporões, por outro a destruição de mangais, para lenha ou construção de casas.

Daviz Simango, edil da Beira, disse que os esforços de combate à erosão costeira são reféns aos escassos fundos para atacar o problema, estando em curso a construção de murros de alvenaria e esporões para minimizar o problema.

Um primeiro plano municipal construiu uma barreira de proteção costeira de cinco quilómetros que se mostrou insustentável ao avanço das águas do mar, estando a ser substituído actualmente pela construção de esporões de pedras.

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