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AFS - Lúcia da Silveira: "Os angolanos acordaram para o exercício dos seus direitos"


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O Presidente angolano precisa de “compreender melhor a constituição e o que é a democracia,” disse Lúcia da Silveira, directora executiva da Associação Justiça, Paz e Democracia, AJPD.

Silveira falava no programa semanal “Angola Fala Só” que nesta sua última edição foi marcado pela decisão das autoridades proibirem e reprimirem um programa manifestação em todo o país no passado dia 23.

Lùcia da Silveira disse que os acontecimentos desse dia e mesmo daquele do funeral de um activista da CASA CE alguns dias depois, a tinha deixado “feliz” por demonstrarem o facto “dos angolanos terem acordado para o exercício dos seus direitos fundamentais”.

“Os cidadãos angolanos começam a ganhar mais espaço,” disse Silveira.
“Por outro lado tive tristeza pela falta de entendimentos entre os políticos sobre o exercício dos direitos fundamentais,” acrescentou aquela activista.

O ouvinte António Chilingutila, do Bié, manifestou a sua tristeza pelo facto do presidente da República ser uma figura pouco visível para os cidadãos que “não o conhecem”, algo compartilhado pela activista que disse compartilhar “da mesma frustração”.

“Nunca vi o presidente,” disse Lúcia da Silveira para quem a pouca visibilidade do presidente se dever ao facto de ele “conhecer o descontentamento que existe”.

“Ele terá receios e precisa de mudar o comportamento,” disse Lúcia da Silveira que contudo acrescentou temer que “ele já não vai a tempo”.

Por isso para a directora executiva da AJPD “é o MPLA que tem que executar mudanças”.

A actuação da polícia durante as ultimas manifestações foi duramente criticada por vários ouvintes algo que segundo Lúcia da Silveira reflecte o facto de a população não ter confiança nas autoridades policiais.

“As pessoas não têm confiança na polícia porque a polícia defende o partido no poder,” disse Silveira que recordou que deputados da assembleia nacional tinham eles próprios sido atacados pela polícia.

“Nem os deputados têm o direito à protecção da polícia,” acrescentou.

O ouvinte Abílio Munekalia, que falou da cidade do Huambo, queixou-se dos fracos serviços de educação e hospitalares o que levou a activista a afirmar que isso é também parte dos direitos dos angolanos.

“O que se verifica hoje é a violação sistemática desses direitos,” disse afirmando ainda que o orçamento para 2014 prevê a redução dos gastos na educação.

“Os governantes não vãos aos hospitais públicos,” disse Lúcia da Silveira.

O ouvinte Filipe Zanda de Malanje insurgiu-se contra a falta de críticas ao governo angolano por parte de instituições internacionais o que levou Lúcia da Silveira a falar do apoio que a AJPD recebe de organizações como a Amnistia Internacional e outras.

Contudo, disse, “ a acção da União Europeia não é aquela que a sociedade angolana gostaria” embora houvesse apoio financeiro da EU á sua organização.

Lúcia da Silveira apelou aos angolanos para todos darem a sua contribuição para a defesa dos seus direitos “não esperando em casa” que outros o façam por si.

Um veterano das forças armadas queixou-se de como aqueles que tinha combatido pelo país foram “abandonados” não se cumprindo as promessas de apoio.

Esse veterano disse estarem em curso preparativos para uma manifestação em Janeiro por ex combatentes.


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