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AFS - Rosa Roque: "Música angolana de raiz decresceu"


A mentora d'As Gingas criticou a pirataria e defendeu a liderdade dos criadores.


A influência da música estrangeira faz com que o impacto da música angolana “de raiz” tenha decaído, disse a professora, directora artística e compositora musical Rosa Roque dos Santos.

Rosa Roque é conhecida como a “mãe” do popular grupo As Gingas, que alcançou grande popularidade a partir de 1974.

Roque compilou recentemente a discografia das Gingas dos últimos 30 anos numa colectânea com todos os álbuns desse famoso grupo, nomeadamente Mbanza Luanda, Malanje Natureza e Ritmos, Xiyame, Muenhu, Luatchimo e Mangonha.

Num diálogo com os ouvintes no programa da VOA Fala Só, que versou essencialmente a situação da cultura e músicas angolanas face à globalização, Rosa Roque, disse que a influência da música estrangeira faz com que cada vez mais a música angolana seja feita com base no que vem de fora.

Angola Rosa Roque Mentora Gingas

Angola Rosa Roque Mentora Gingas

“Eu gostaria de ver a música angolana a ser mais difundida nos media do país”, disse.

“ A música angolana de raiz é pouco difundida e mostrada nos nossos media”, revelou.

Vários ouvintes insurgiram-se contra o conteúdo de letras de algumas canções transmitidas nas estações de rádio e televisão, algo que Rosa Roque atribuiu a “um excesso de liberdade”.

Contudo, ela opôs-se à sugestão do ouvinte Gelson Monteiro, de Benguela, de se fazer um “acompanhamento” de modo a poder-se controlar o que é radiodifundido.

“Há liberdade para se dizer o que há”, esclareceu Rosa Roque, para acrescentar: “Não se deve fazer qualquer acompanhamento”.

A professora e compositora referiu-se ainda à falta de protecção dos direitos de autor em Angola em que CDs copiados ilegalmente são vendidos abertamente nas ruas.

“Estamos ainda muito longe de encontrar um mecanismo de proteger os direitos de autor, daí a pirataria alarmante que se vê no país“, denunciou Rosa Roque para quem também “é preciso criar uma cultura do respeito pelos direitos de autor; não existe essa cultura”.

Para Rosa Roque “muito pouco” se tem feito para apoiar a internacionalização da música angolana, que venceu no exterior “graças ao empenho de cada um”.

A entrevistada recordou ainda que no passado o apoio que músicos angolanos receberam no exterior foi graças a esforços individuais de diplomatas angolanos

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