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África: Novo palco de rivalidade sino-nipónica

  • Redacção VOA

Shinzo Abe, primeiro-ministro nipónico

Shinzo Abe, primeiro-ministro nipónico

Visita do primeiro-ministro japonês a África abre velhas feridas no relacionamento com a China.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, está a tentar alargar a influência do seu país em África visitando esta semana 3 países do continente, incluindo Moçambique, com negócios nos domínios do gás natural e do carvão ascendendo a milhares de milhões de dólares.

Esta visita veio contudo inflamar de novo a velha rivalidade entre o Japão e a China com Pequim acusando Tóquio de ambições imperialistas.
O líder japonês realçou a importância do seu périplo por 3 países africanos, a primeira deslocação de um chefe de governo nipónico ao continente em 8 anos, comprometendo-se em duplicar os empréstimos às nações africanas num montante de 2 mil milhões de dólares.

Shinzo Abe afirmou na sede da União Africana em Adis Abeba que o seu país estava optimista em relação a África: “A África mudou muito, e muitos japoneses acham que a África é a esperança do Japão”.

A vista de Abe é motivada essencialmente por razões económicas. O Japão é o principal importador mundial de gás natural e a sua capacidade energética fidou reduzida depois do acidente na central nuclear de Fukushima em 2011. Não foi portanto uma surpresa a sua deslocação a Moçambique, país muito rico em gás natural, para debater projectos envolvendo milhares de milhões de dólares.

Contudo as rivalidades asiáticas rapidamente vieram à tona na capital etíope quando a China pôs em dúvida as intenções japonesas em África.
De facto, o embaixador chinês junto da União Africana, Xie Xiaoyan, colocou em destaque aquilo que considerava serem as verdadeiras intenções nipónicas mostrando na sua intervenção imagens de atrocidades cometidas pelas forças japonesas em 1936 durante o cerco à cidade chinesa de Nanquim: “ Eles têm duas faces. A primeira é a de um país amante da paz, amigo da cooperação e empenhado em fazer amigos em África. A outra face é a de um país apostado em criar dissensões entre outros países”.

Por seu lado o Japão também teceu algumas considerações negativas acerca das actividades chinesas no continente africano, relembrando as violações dos direitos humanos pelo governo chinês e pela sua reputação de não tratar bem os trabalhadores das suas empresas em África.

No seu discurso perante a União Africana em Adis Abeba, Shinzo Abe, realçou o método de trabalho das empresas japonesas paras as quais, afirmou, o trabalhador é o seu mais importante recurso.
Mas, independentemente da demagogia, os interesses dos dois gigantes asiáticos em África são muito semelhantes. Tal é pelo menos a opinião do analista sul-africano, Martyn Davies: “ Há a percepção entre as potências tradicionais, incluindo o Japão, de que os chineses podem estar a ver algo em África que elas não estão a ver. Pelo sim pelo não o melhor é irmos também para África. É isso que está por detrás desta visita ”.
Uma coisa é certa: a longa rivalidade sino-nipónica encontrou um novo palco no continente africano.
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