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Fome: Nove Países Africanos Entre os Mais Afectados

  • Paulo Faria

Fome: Nove Países Africanos Entre os Mais Afectados

Fome: Nove Países Africanos Entre os Mais Afectados

O único país não-africano da lista é o Haiti

Um relatório sobre a fome divulgado esta semana sublinha as persistentes dificuldades que os africanos enfrentam no que diz respeito a segurança alimentar. O relatório engloba também possíveis formas de combater o problema.

Numa lista de 10 países que enfrentam os piores níveis de fome, nove deles estão na África sub-Sahariana. De acordo com o índice anual da fome a nível mundial, o único país não-africano da lista é o Haiti. Os nove países africanos são a República Democrática do Congo, Burundi, Eritreia, Chade, Serra Leoa, Comores, Madagáscar e a República Centro Africana.

Na República Democrática do Congo, estima-se que três quartos da população estejam subnutridas.

O Instituto Internacional de Investigação de Política Alimentar, que divulgou o relatório juntamente com outros grupos de ajuda, diz que o crescimento económico, uma forte actividade agrícola, a igualdade de géneros e o fim dos conflitos são essenciais para reduzir substancialmente a fome.

Roger Thurow, do Conselho sobre Assuntos Globais de Chicago, diz que um problema chave em África e que os agricultores são habitualmente deixados a sua sorte quando sofrem uma seca ou uma colheita insuficiente:

“Nos Estados Unidos ou na Europa quando as colheitas falham, existe habitualmente alguém que passa um cheque – seja o governo ou uma companhia de seguros. Em África, quando a colheita falha, pessoas morrem porque não há segurança. Ninguém partilha o risco: cai tudo sobre os agricultores.”

Embora a ajuda de emergência seja crucial em tempos de fome, Thurow gostaria de ver mais ajuda para o desenvolvimento e praticas agrícolas a longo prazo, tais como uma melhoria do armazenamento de cereais:

“Em África, talvez 30 a 50 por cento da colheita de vários cereais perdem-se todos os anos porque não há armazéns. Os mercados deviam então ser capazes de encaminhar alguns dos excedentes numa parte do país para outras partes onde há faltas.”

Thurow afirmou também ser a favor de mais programas micro-financeiros para dar aos agricultores africanos a possibilidade de comprarem sementes e fertilizantes e melhorar a irrigação. Disse sentir-se encorajado por serviços em telemóveis que estão a ser desenvolvidos para dar aos agricultores dados sobre preços e possibilidades de comercialização.

No princípio do ano, activistas do grupo internacional contra a pobreza ActionAid realizou desfiles em vários países, apelando para o fim da fome.

A chefe do grupo, Joanna Kerr, afirmou ser crucial dar destaque as mulheres agricultoras:

“A solução é muito simples – colocar em primeiro lugar agricultores e particularmente mulheres agricultoras. As mulheres agricultoras produzem 80 por cento dos alimentos do mundo e produzem esses alimentos mais perto das pessoas que estão esfomeadas.”

Kerr afirmou que os líderes mundiais precisam de fazer muito mais para confrontarem o problema.

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