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EUA e aliados aplicam tácticas anti-terroristas para combater a caça furtiva em África

  • Joe DeCapua

Guerra contra o terrorismo encontra-se numa fase de expansão de frentes e passa a dar atenção a protecção animal envolvendo accções contra o comércio de especies em África

Os Estados Unidos da América lançaram recentemente um programa no valor de 10 milhões de dólares para ajudar a combater a caça furtiva em África, por causa de sua relação com grupos armados.

Os fundos provenientes do comércio ilegal de produtos animais podem estar a apoiar vários grupos de milícias no continente africano. Trata-se de uma constatação que cujas provas se vão avolumando.

O especialista Johan Bergenas diz que apesar disso, a iniciativa do governo americano não será suficiente para resolver os problemas criados pela caça furtiva.

Bergenas adianta que os actuais esforços de combate a esse flagelo não têm tido sucessos em evitar o abate de milhares de animais todos os anos.

“A caça furtiva como uma actividade criminosa transnacional com certeza que não é nova. Temos assistido a um aumento dos níveis do abate de animais indefesos entre os últimos 12 a 18 meses.”

Johan Bergenas é director adjunto do Programa Gestão além-fronteiras, no Stimson Center – uma organização não lucrativa, e não-governamental com sede aqui em Washington.

“O exemplo mais perigoso e interessante, pensa-se, é o facto dos grupos criminosos transnacionais, que estão envolvidos no tráfico de bens ilícitos, seja drogas ou arma, e também organizações terroristas, estão agora a aumentar os seus lucros através da caça e de actividades que lhe são adjacentes.”

Johan Bergenas acrescenta que os grupos de milícias somalis estão entre os beneficiários da prática de caça de animais. O Serviço de Vida Selvagem do Quénia reportou durante vários e agora ficou comprovada uma forte ligação da al-Shabab nessas acções, e que é com certeza uma filial da al-Qaida na Somália.

Há também testemunhos de pessoas que confirmam a relação entre o Exército da Resistência do Senhor de Joseph Kony com a persistente caça furtiva que tem posto em risco espécies animais nos países da região da África Central.

“O presidente Obama criou uma equipa de acção que vai tentar perceber o processo de interação para combater o tráfico de ilícitos e de espécies animais de uma maneira geral. Para tal, vai haver um relatório e uma estratégia nacional americana.”

O especialista Johan Bergenas reconheceu também que os Estadoos Unidos e os seus aliados europeus precisam de recorrer um novo método quando estiverem a cooperar nesse domínio com os países africanos, dando relevância as questões de desenvolvimento e segurança.
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