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África do Sul recusa visto a Dalai Lama e impede cimeira dos vencedores do Nobel da Paz

  • Simião Pongoane

É a terceira vez que o Governo sul-africano recusa o visto de entrada ao Dalai Lama, que defende a independência de Tibete.

A presidente do município da cidade do Cabo Patrícia de Lille anunciou hoje, 2, a suspensão da realização da cimeira dos vencedores do Prémio Nobel de Paz prevista para realizar-se na próxima semana na África do Sul, devido ao boicote dos laureados em protesto contra a recusa do Governo sul-africano em conceder visto de entrada a Dalai Lama para participar no encontro.

Patrícia de Lille lamentou a suspensão da realização do encontro que devia decorrer na cidade do Cabo, injectando seis milhões de dólares norte-americanos na economia da chamada Mother City. A cidade do Cabo é governada pela oposição, Aliança Democrática, desde 1999.

Esta é a terceira vez em que o Governo sul-africano recusa visto de entrada na África do Sul a Dalai Lama, que defende a independência de Tibete, território que a China considera sua província.

Qualquer país que acolhe Dalai Lama é mal visto pela China, a sgunda maior economia do mundo, depois dos Estados Unidos da América.

O Governo sul-africano não quer perder um aliado tão poderoso como a China por causa de Dalai Lama. Alias, África do Sul e China são ambos membros do grupo dos países de economias emergentes, que incluem Brasil, Rússia e India.

As trocas comerciais entre os dois países ascendem a mais de 10 mil milhões de dólares norte-americanos.

O antigo presidente sul-africano Frederick de Klerk, por sinal vencedor do Prémio Nobel de Paz, considera que a cimeira ora suspensa seria uma grande oportunidade para colocar a África do Sul no topo da diplomacia internacional de busca de soluções de paz mundial, numa altura em que o mundo enfrenta desafios de conflitos armados e terrorismo.

Segundo De Klerk, os sul-africanos demonstraram no passado que mesmo as disputas incríveis podem ser resolvidas pacificamente, através de negociações, compromisso e boa vontade. Para De Klerk, África do Sul queria partilhar esta experiência com o resto do mundo e com os laureados de Nobel de Paz na cidade do Cabo.

De Klerk explica que também queriam dedicar esta cimeira à memória de Nelson Mandela, um homem que é talvez um dos grandes exemplos de inspiração do verdadeiro espirito do Nobel de paz, mas que tal não será possível por o Governo ter negado o visto de entrada a Dalai Lama.

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