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Orfãos moçambicanos enfrentam o drama de serem ilegais na África do Sul

  • Simião Pongoane

São três centenas que ficaram sem pai devido à Sida.

Mais de 280 crianças órfãs de emigrantes moçambicanos na África do Sul desconhecem o paradeiro dos seus familiares mais próximos e não têm documentos de identidade para regressarem a Moçambique.

As crianças vivem com famílias substitutas sob a monitoria da organização não-governamental Inkateko, fundada pela emigrante moçambicana, Flora Xitlhango, no bairro de Tembisa, norte de Joanesburgo.

Segundo Flora Xitlhango, as idades das crianças variam entre seis anos e 17 anos e algumas nasceram na África do Sul, enquanto outras vieram sozinhas e ou com seus pais que depois perderam a vida.

"Eu tenho 284 crianças órfãs que não conhecem o paradeiro dos seus familiares mais próximos", disse Flora Xitlhango.

Sem documentos moçambicanos ou sul-africanos, as crianças são consideradas emigrantes ilegais na África do Sul e não têm acesso à escola.

As autoridades sul-africanas são muito rigorosas quando descobrem crianças sem documento numa escola.

Aplicam multa de 10 mil randes, cerca de 670 dólares norte-americanos ao director da escola por cada aluno indocumentado.

A Inkateko ajuda as crianças órfãs moçambicanas com apoios de igrejas com alimentos e roupa usada.

A organização gostaria de ter um centro infantil próprio, mas tem receio de que as crianças possam ser hostilizadas por serem filhas de emigrantes pobres nas comunidades cada vez menos tolerantes para com os estrangeiros.

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