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África do Sul: da luta contra o apartheid ao legado da violência

  • Simião Pongoane

Analistas consideram que o legado da resistência contra o apartheid poderá durar muito tempo.

A África do Sul é considerada um dos países mais violentos do mundo fora das zonas de conflitos armados.

Analistas dizem que a predisposição dos sul-africanos para a violência é um legado herdado da luta contra o sistema do apartheid.

Para o jurista moçambicano, Inácio Mussanhane, que vive na África do Sul há vários anos, o legado da violência contra o regime do apartheid vai durar muito tempo na sociedade sul-africana.

Fundado em 1912, o Congresso Nacional Africano (ANC) mobilizou a população a revoltar-se contra o sistema do apartheid, usando a violência, mas hoje 21 anos depois da queda do sistema de segregação racial, o partido no poder tem estado a claudicar na educação cívica.

Os líderes do ANC reconhecem.

Paulo Mutsape, empresário com negócios de hotelaria no interior do bairro de Alexandra, um dos mais violentos, nos arredores da cidade de Joanesburgo, considera que os sul-africanos são pacíficos.

Para Mutsape, os violentos são criminosos que se aproveitam das desigualdades económicas que afectam a maior parte da população na economia mais desenvolvida de África.

Por seu seu lado, Bernardo Muhacha, gestor de uma loja de produtos de consumo da primeira necessidade em Alexandra, concorda “parcialmente” com Paulo Mutsape, acrescentando que “os sul-africanos são bons amigos durante o dia e inimigos na calada da noite”.

Para o professor André Thomashausend, da Universidade da África do Sul, a maior responsabilidade é dos políticos no poder que não têm pregado a mensagem de convivência pacifica nas comunidades.

Graça Machel, antiga primeira dama sul-africana e viúva de Nelson Mandela, não percebe por que razão os moçambicanos têm sido vitimas emblemáticas da violência na África do Sul, desde o regime do apartheid.

O regime de segregação racial foi oficialmente instituído em 1948 na África do Sul pelo agora extinto Partido Nacional e caiu em 1994.

Foram cerca de 50 anos de terror contra a maioria negra, sendo que mesma entre esta havia separação forcada em grupos étnico-linguísticos.

As duas décadas da democracia multirracial são consideradas uma gota na sociedade violentada pelas circunstâncias do apartheid exacerbadas pela pobreza na economia mais desenvolvida do continente africano.

O legado da resistência contra o apartheid poderá durar muito tempo na sociedade sul-africana.

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