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Aécio Neves tenta unir e relançar a oposição no Brasil

  • Maria Cláudia Santos

Aécio Neves

Aécio Neves

Especialistas dizem que a oposição tem de se reinventar.

As eleições que garantiram a permanência do Partido dos Trabalhadores (PT), da presidente Dilma Rousseff, por mais quatro anos no poder trouxeram muita discussão sobre o possível renascimento de uma nova oposição no Brasil.

A promessa vem personificada, sobretudo, no candidato derrotado na disputa presidencial por uma margem muito pequena, Aécio Neves, do PSDB. O senador já está de volta ao trabalho, na capital federal, depois da acirrada eleição, prometendo fazer uma oposição rigorosa ao governo federal.

“Faremos uma oposição incansável, inquebrantável, intransigente na defesa dos interesses dos brasileiros. Vamos fiscalizar, vamos cobrar, vamos denunciar. Qualquer diálogo estará condicionado ao envio de propostas que atendam aos interesses dos brasileiros”, disse Neves na sua primeira intervenção no Senado.

Para analistas, só o tempo e os posicionamentos do senador, que depois das eleições mantém o tom mais combativo, vão dizer se ele conseguirá representar uma oposição que faça realmente tremer as bases do Governo.

O povo também promete cobrar mais deste mandato do partido que vai completar 16 anos no poder. O professor de Ciência Política da USP, José Álvaro Moisés acredita o clima para uma oposição real existe. "Desta vez há uma mobilização, a sociedade está mais atenta, tem mais interesse. Também do ponto de vista da competição, foi muito mais bem equilibrada desta vez. Acho que Aécio tem razão, por trás dele tem 51 milhões de votos, não é pouca coisa. É um indicador extremamente importante para redefinir o papel da oposição".

Mas a oposição, silenciada há mais de 12 anos, vai precisar se recriar. ''Eu acho que a oposição brasileira tem que se reinventar. Ela não pode mais repetir o que fez nos quatro anos anteriores. A ideia de que a oposição se concentra exclusivamente no Congresso e só em alguns momentos de votação, é um défice da oposição.

O analista explica que a oposição precisa se aproximar do povo. "A oposição precisa estabelecer laços, raízes com a sociedade e isso é algo que se faz ouvindo as pessoas. É preciso ter a simplicidade de ouvir as pessoas, trazê-las para dentro e entender o que o país está pedindo. Eu acho que o Aécio, o PSDB, o PPS, partidos da oposição vai ser necessário muito trabalho de inovação", afirma José Vicente.

"Se não tiver uma oposição robusta e com propostas alternativas e colocando para as pessoas uma possibilidade de futuro, de políticas públicas diferente das que estão aí não sensibiliza as pessoas", completa o analista.

Para o filósofo Renato Janine Ribeiro, uma posição com mais ideias e menos ódio será essencial. Para o professor de ética, “o PSDB acabou se associando a uma parte do eleitorado atrelada ao ódio, o que é um gigantesco erro político”.

Roberto Romano, professor de ética e política da Unicamp, acha que uma das estratégias para uma oposição forte é a ampliação das prefeituras, alvos das eleições daqui a dois anos. "Para conseguir essa readequação da oposição, o primeiro passo é que o PSDB e os partidos da base oposicionista ampliem as suas bases municipais. Os municípios são as bases da força. Nesta linha, o apelo que o Fernando Henrique Cardoso fez, há dois anos, para que o PSDB deveria ir até a população é mais do que actual. Porque se ele continua baseado no Congresso e na política tradicional, ele vai receber um fechamento muito grande”, conclui o professor.

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