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Activistas em Malanje prometem mais manifestações apesar da repressão

  • Isaías Soares

Aires Mendes Mendonça, activista, Malanje

Aires Mendes Mendonça, activista, Malanje

Polícia prendeu quatro activistas na sexta-feira, quando tentavam fazer mais uma manifestação.

A auto-denominada União de Activistas das 18 Províncias (UA18P) vai continuar a pedir a reposição do 4 de Janeiro como feriado nacional e a manifestar a sua solidariedade com os 17 activistas em Luanda, apesar da repressão de que diz ser alvo na província angolana de Malanje.

A garantia foi avançada à VOA pelo activista do grupo Aires Mendes Mendonça que denúncia agressões da Polícia Nacional a ele e mais três colegas quando se concentravam no largo Ginga Mbande para realizar uma manifestação pela cidade de Malanje.

“Só tentamos dar uns passos, andamos 5 ou dez metros, a polícia chegou e começou a dar-nos bofetadas e pontapés”, revela Mendonça, que diz ter ficado a sangrar.

Sem poder identificar os agentes “porque fiquei totalmente confuso mentalmente” por causa das agressões, Aires Mendes Mendonça afirma terem sido prevenidos a ter mais cuidados porque “o próximo caminho poderá ser a eliminação física”, lembrando de ter ouvido alguém na esquadra a advertir que ninguém está autorizado a manifestar-se contra os órgãos de soberania.

Nenhuma fonte oficial contactada pela VOA quis pronunciar-se sobre as acusações do activista.

Mendonça denuncia ainda que os agentes da Polícia Nacional molestaram duas irmãs, de 16 e 12 anos, tendo levado uma delas para a unidade policial.

“Queriam os estatutos que eu disse, estavam em casa (…), foram dois carros, eu já algemado e começaram a fotografar, e a minha irmã menor ao perguntar o por quê das atitudes foi também espancada”, revela Mendonça, adiantando que os agentes entraram no quarto e levaram estatutos e livros.

A auto-denominada União de Activistas das 18 Províncias tem tentado realizar várias manifestações em Malanje a pedir a reposição do feriado de 4 de Janeiro e a denunciar violações de direitos humanos, mas quase sempre foram reprimidas pelas autoridades.

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