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Activistas intensificam "cruzada" a favor da democracia em Angola

  • João Marcos

Activistas Rosa Conde, Laurinda Gouveia, Luaty Beirão no tribunal. Luanda, Angola. Nov 16, 2015

Activistas Rosa Conde, Laurinda Gouveia, Luaty Beirão no tribunal. Luanda, Angola. Nov 16, 2015

Apesar de admitirem regressar à cadeia, apelam ao combate "contra a ditadura".

Os activistas libertados há poucos dias em Luanda prometem intensificar a campanha tendente a derrubar o que chamam de ‘‘evidências de ditadura em Angola’’, mesmo cientes de que podem regressar à cadeia.

Da má governação e desvios de fundos públicos à falta de transparência, passando pelos anos de José Eduardo dos Santos no poder, os activistas fazem a radiografia de uma Angola que se tem revelado, segundo eles, ‘’cruel’’ para a sua população.

‘’Vinte e quilos de arroz e duas latinhas de sardinha. Na verdade, comíamos arroz com procura, foi sofrer na cadeia’’, denunciou Rosa Conde, uma dos elementos do grupo.

Nem mesmo a possibilidade de regresso à cadeia, mata a ambição de quem sonha com um país em democrático e com uma governação capaz de satisfazer os anseios do povo, como disse José Gomes “Hata” num debate sobre liberdade de expressão, promovido em Benguela pela organização não governamental OMUNGA.

“Tudo bem, há ditadura em Angola. Mas é preciso que saibamos derrubar, sem guerra, mediante a Constituição. Agora mais do que nunca, estamos preparados’’, sustenta Hata, que aproveitou a ocasião para reafirmar que a luta será feita por angolanos, sem a mão da comunidade internacional.

O activista desmentiu desta forma a suposta oferta de 100 milhões de dólares norte-americanos do exterior.

Rosa Conde, filha de Cabinda, reforça esta ideia e diz que gostava de ver mais rostos femininos na cruzada contra o que chama de ditadura.

‘’Estamos abertos, à espera de mais membros. Se vemos que as coisas não estão bem, o país a ser mal dirigido, temos de fazer alguma coisa’’, refere Conde.

Por seu turno, Hitler Samussuko alerta para manobras que visam desviar as atenções das consequências da má governação, entre as quais a sua prisão, feita sob acusação de crime de rebelião e associação de malfeitores.

‘’Mesmo cá em Benguela, temos um litoral em condições e ao lado casas sobre montanhas. É o que se vê também na Cidade Alta, há um Palácio Presidencial bem ao lado de um bairro de extrema pobreza, sem infra-estruturas’’, argumenta .

Na última edição de Quintas de Debates, a OMUNGA prometeu oferecer aos activistas 250 mil Kwanzas, pouco mais de mil e cem dólaresao câmbio oficial, no quadro de uma campanha de solidariedade.

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