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Activistas angolanos reagem a relatório da Amnistia Internacional

  • Coque Mukuta

Angola manifestantes

Angola manifestantes

Activistas como Carbono Casimiro não acredita que o relatório cause impacto. João Pinto, do MPLA, diz que Angola foi avaliada positivamente pelas Nações Unidas.

Activistas angolanos manifestaram dúvidas de que o relatório da Amnistia Internacional sobre violação dos direitos humanos em Angola terá qualquer impacto prático na actuação do Governo.

O dirigente em Luanda da CASA-CE Alexandre Dias dos Santos “Libertador” disse que só uma manifestação de todas as forças da oposição poderá servir para chamar a atenção do Governo.

“A minha opinião é que a oposição e organizações da sociedade civil se juntem para uma grande manifestação para exigir que parem de torturarem os cidadãos porque, meu irmão não estou a ver eles a pararem”, afirmou o secretário executivo da CASA-CE em Luanda.

Luaty Beirão

Luaty Beirão

Luaty Beirão, músico e activista cívico que participou em diversas manifestações levadas a cabo contra as práticas do Executivo angolano, disse estar convencido de que “vão continuar as mangueiras, as pessoas vão continuar a ser levadas para Cassualala”, isto numa referência à pratica da policia de levar manifestantes detidos para zonas muito distantes de Luanda onde são depois abandonados.

Por sua vez, Carbono Casimiro, também activista, diz que vários relatórios foram publicados anteriormente, mas o Governo continua a reprimir os cidadãos. Por isso não acredita que alguma coisa vai mudar com este relatório.

“Penso que não são os relatórios que levam a mudar, mas sim as suas consciências de que estão a praticar actos errados”, disse.

João Pinto, quarto vice-presidente da bancada parlamentar do MPLA, sem gravar entrevista, reagiu dizendo que o Executivo recebeu parecer positivo na última avaliação periódica realizada pelas Nações Unidas e não é a um documento da Amnistia Internacional que o MPLA vai submeter-se.

João Pinto disse que em todo o mundo há incidentes tal como acontece em

João Pinto

João Pinto

Angola.

Num relatório intitulado “Punishing dissent: suppression of freedom of association, assembly and expression In Angola” (Punir a dissidência: supressão da liberdade de associação, de reunião e de expressão em Angola, em português) divulgado ontem, 12, a Amnistia Internacional acusou as forças de segurança de Angola de execuções extrajudiciais e uso excessivo da força na repressão a opositores ao Governo de José Eduardo dos Santos.

A organização de defesa dos direitos humanos, com sede em Londres, divulgou esta quarta-feira, 12, um relatório em que apresenta mais de 20 casos de protestos e manifestações reprimidos pela força nos últimos dois anos.

"O Governo do Presidente José Eduardo dos Santos tem de parar imediatamente com as mortes extrajudiciais, os desaparecimentos forçados, as detenções arbitrárias e a tortura daqueles que se opõem ao regime de 35 anos às mãos das forças de segurança do país", insta a Amnistia Internacional no novo relatório que documenta a situação de direitos humanos em Angola desde 2011 até ao presente.

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