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Activista angolano Sedrick de Carvalho decidido a morrer

  • Redacção VOA

Sedrick de Carvalho no julgamento dos activistas em Luanda, no Tribunal Provincial de Luanda em Benfica. Angola, Nov 16, 2015

Sedrick de Carvalho no julgamento dos activistas em Luanda, no Tribunal Provincial de Luanda em Benfica. Angola, Nov 16, 2015

Em carta o activista recusa tomar água, nem sair da cela e fala em suicídio.

O activista e jornalista angolano Sedrick de Carvalho, acusado de rebelião e acto preparatório de golpe de Estado, garantiu levar a greve de fome até à morte e recusou sair da cela e não receber visitas, inclusive da esposa e filha.

Em carta redigida nesta segunda-feira no Hospital-Prisão de Luanda, Carvalho enumera o que considera “contantes abusos e violações de direitos humanos que se registam há cinco meses” contra a sua pessoa e diz que se recusa a “sair da cela” em que se encontra, “não importando o objectivo e propósitos apresentados, ao menos que seja forçosamente, como aliás é hábito agirem de tal forma”.

O activista recusa-se também “a receber toda e qualquer visita”, pelo que diz lamentar os esforços que a família, “esposa, filhinha, pais e irmãos, certamente farão para que recue desta decisão”.

Sedrick de Carvalho nega, inclusive, a beber água e radicaliza a sua posição na carta ao concluir que poderá optar pelo suicídio porque, diz, “estou cansado desta palhaçada”.

Na carta que termina com a frase “a ditadura continua a vencer, infelizmente”, Carvalho autoriza e recomenda o juiz Januário Domingos José a condená-lo, “mesmo sendo eu inocente”, porque não acredita “em decisão contrária em ditadura”.

No documento de três páginas dirigido à sociedade angolana, Serviços Prisionais, Tribunal Provincial de Luanda, imprensa e família, o jornalista detido a 20 de Junho com mais 14 activistas, acusa as autoridades de tentativas de provocar o seu desequilíbrio mental, “com práticas de torturas milimetricamente orientadas e executadas rigorosamente por aqueles que têm a missão legal e humana de cuidar e atestar a nossa sanidade mental”.

Carvalho cita ainda a “ininterrupta humilhação e desrespeito” às famílias que, “mesmo decididas a contribuírem para a criação da Nação Angolana, foram e continuam a ser injustiçadas por se lhes retirarem o filho, esposo, pai, irmão e garante da sustentabilidade económica e estabilidade psico-emocional”.

Carta Sedrick Carvalho

Carta Sedrick Carvalho

Uma “palhaçada” é como aquele activista classifica o que acontece “em pleno julgamento da ditadura contra democracia, onde os magistrados escondem o rosto mas não a vergonha, onde aprovam e aplaudem as agressões físicas que acontecem no tribunal, ou ainda onde se reconhece que não leram, durante os cinco meses, os livros que para a ditadura são proibidos”.

Refira-se que, além de Sedrick de Carvalho, estão em greve de fome Luaty Beirão, Domingos da Cruz, Albano Binbo Bingo, Mbana Hamza e Nélson Dibango.

Nesta segunda-feira, foi retomado o julgamento dos 17 activistas.

Osvaldo Caholo continua a ser ouvido e, depois dele, dever ser Rosa Conde que, juntamente com Laurinda Gouveia, está em liberdade.

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