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Activista angolano Osvaldo Caholo ameaça suicidar-se

  • Redacção VOA

Carta do activista angolano Osvaldo Caholo

Carta do activista angolano Osvaldo Caholo

Preso no Estabelecimento Prisional de Calomboloca diz não aguentar o que lhe fazem e também à mãe.

O activista angolano Osvaldo Sérgio Correio Caholo, condenado no passado dia 28 a 4 anos e 6 meses, ameaça suicidar-se.

“Nos próximos dias vou pôr termo à minha vida, em nome da fraqueza e o respeito pela dignidade humana”, escreve Caholo em carta datada de 31 de Março e entregue à VOA pela mãe.

No documento de quatro páginas escrito a mão no Estabelecimento Prisional de Calomboca, o único militar dos 17 activistas condenados na passada segunda-feira, descreve o que considera ser violações da Constituição, que defende o direito à vida e a protecção dos direitos fundamentais dos cidadãos pelo Estado.

Falta de água, necessidades fisiológicas colocadas em sacos de plásticos, alimentação deficiente, falta de banhos de sol, colchões que “nem para animais devem servir”, autorizações de visitas a bel-prazer das autoridades, pequeno-almoço servido às 11/12 horas, são algumas das situações vividas por Osvaldo Caholo na prisão de acordo com a denúncia.

Carta do activista angolano Osvaldo Caholo, página 1

Carta do activista angolano Osvaldo Caholo, página 1

O activista, que diz carecer de atendimento médico, “por sofrer de estômago e amigdalite”, pergunta “como é possível viver sem água”.

“Não é que me sinta importante ou um cidadão superior, mas aqui o ambiente é anti-social, uma vez que os slogans são de ressocialização e reeducação”, escreve o activista que lamenta “o desgaste das famílias de cima para baixo”.

Caholo lamenta ainda o sofrimento da mãe que perdeu uma filha na véspera da sua condenação, o que leva o activista a dizer que “não me estão a matar só a mim, como a minha mãe”.

Por isso, escreve, como “sou fraco e não vou conseguir assistir tudo”, Osvaldo Caholo avisa que colocará termo à sua vida nos próximos dias.

Activistas angolanos em tribunal no primeiro dia de julgamento em Luanda. Angola, Nov 16, 2015

Activistas angolanos em tribunal no primeiro dia de julgamento em Luanda. Angola, Nov 16, 2015

O processo

Caholo e mais 16 activistas foram condenados no dia 28 de Março a penas de prisão entre dois anos e oito anos e seis meses pelos crimes de rebelião, actos preparatórios de golpe de Estado e associação de malfeitores.

Detidos a 20 de Junho de 2015 quando participavam no que chamaram de formação em activismo, os 15 jovens presos em flagrante e mais duas activistas que aguardaram o julgamento em liberdade, começaram a ser ouvidos no Tribunal Provincial de Luanda a 16 de Novembro.

A 18 de Dezembro deixaram as cadeias onde se encontravam e foram para prisão domicliar até o dia da condenação.

A sentença, considerada totalmente infundada pela defesa dos activistas que já recorreu da decisão do juiz Januário Domingos José, tem merecido fortes reacções no país e no exterior.

Em Angola, os partidos da oposição condenaram claramente a decisão do tribunal.

A nível internacional, os Estados Unidos e países europeus manifestaram a sua preocupação com os direitos humanos e o processo judicial, enquanto a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch condenaram a decisão do tribunal e pediram a libertação dos activistas.

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