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Acordo nuclear com Irão gera polémica nos Estados Unidos


Iranianos comemoram o acordo enquanto esperam a chegada do Primeiro Ministro Mohammad Javad Zarif em aeroporto de Teerã.

Iranianos comemoram o acordo enquanto esperam a chegada do Primeiro Ministro Mohammad Javad Zarif em aeroporto de Teerã.

O Presidente Barack Obama diz que o acordo nuclear preliminar firmado na semana passada com o Irão representa uma oportunidade única de trazer estabilidade ao Médio-Oriente, que pode auxiliar tanto Israel quanto outras nações. Entretanto, alguns membros do Congresso norte-americano permanecem com suspeitas sobre o acordo, e pedem por debates e votação antes de sua aprovação.

Em entrevista ao New York Times no Domingo, Obama disse que consideraria uma falha fundamental de sua Presidência se, durante o seu mandato, ou como consequência do seu trabalho como Presidente, Israel se encontrar em uma situação de vulnerabilidade. Ele disse que isso não seria apenas um fracasso estratégico, mas também um fracasso moral.

Ao ser perguntado sobre qual é a sua mensagem sobre o acordo ao povo de Israel, o Presidente disse que, mesmo que os israelenses tenham o direito de se preocupar com o Irão, eles também devem trabalhar para que o país não possa adquirir armamentos nucleares. Ele disse que não há melhor opção para garantir que isso aconteça do que o acordo alcançado na Suíça. Ainda que seja apenas um quadro geral, o acordo preliminar é um guião para ser usado nas futuras negociações para um acordo final em Junho.

Obama disse que o Irão não comprará nenhuma arma nuclear enquanto ele for Presidente. Mas ele também expressou confiança de que esse acordo diplomático possa inaugurar uma nova era nas relações entre os Estados Unidos e o Irão, assim como uma nova era das relações de Teerã com seus vizinhos.

O Primeiro Ministro de Israel Benjamin Netanyahu, em entrevista à televisão Americana disse, no Domingo, que o acordo é um mau negócio, e que dá ao Irão um caminho livre para obter uma bomba nuclear.

“O acordo deixa esse preeminente país terrorista com uma vasta infraestrutura nuclear. É importante lembrar que nenhuma centrífuga será destruída. Milhares de centrífugas continuarão a produzir urânio. Nenhuma instalação nuclear, incluindo as subterrâneas, está sendo desligada. Esse é um acordo que deixa o Irão com a capacidade de produzir material para muitas bombas nucleares. Ele faz isso ao eliminar as sanções contra o país. Então o Irão terá milhões de dólares a ir para os seus cofres, mas não para a construção de escolas, hospitais ou estradas, mas sim para abastecer a sua máquina terrorista e sua força militar, que estão ocupadas nos seus esforços de conquistar o Médio-Oriente neste exato momento”.

Netanyahu diz que essa não é uma questão partidária, ou apenas um problema para Israel, mas sim um assunto mundial, pois todo o mundo estaria ameaçado por um Irão com armamentos nucleares.

O Secretário de Energia dos Estados Unidos Ernest Moniz, que fez parte das negociações, diz que o acordo dará à comunidade internacional um reconhecimento quase que instantâneo de qualquer tentativa por parte do Irão de descumprir o combinado no tratado.

“Haverá agora o começo de muitas fases, que se iniciam com restrições extremamente rigorosas ao programa nuclear do Irão. Esperamos que o país as obedeça por um longo tempo, para que se estabeleça uma confiança com o Irão. Nós temos restrições que durarão 10, 15, 25 anos, e também aquelas que durarão para sempre. Então esse é um programa de longo prazo, e não algo que passará em poucos anos”.

Moniz diz que o acordo permite um acesso sem precedentes ao programa nuclear do Irão.

O Presidente do Comitê de Relações Internacionais do Senado Norte Americano Bob Corker diz que muitos dos detalhes do tratado ainda são desconhecidos, o que dificulta determinar se o acordo é um bom ou mau negócio. Ele afirma que há discrepâncias sobre com as sanções serão retiradas. Corker também quer saber como as inspeções ao Irão serão conduzidas, tanto nos aspectos encobertos do programa nuclear do país, quanto na sua força militar.

“Novamente, eu estou aberto. Eu sei que haverá muitos detalhes a serem trabalhados nos próximos meses. É por isso que, em nome do povo americano, o Congresso precisa fazer parte disso. O que o povo americano pode não saber agora é que existem vários tipos de anexos confidenciais que são muito importantes. É por isso que é tão importante que o Congresso faça o seu papel ao aprovar ou não as emendas antes que o acordo seja firmado”.

Corker diz que o seu comitê irá seguir em frente com os planos de votar, no dia 14 de Abril, em uma lei que obriga que o Presidente submeta o acordo final para um debate e votação no Congresso americano. Isso proibiria que Obama suspenda as sanções ao Irão por um prazo de 60 dias, enquanto o congresso avalia o tratado. Entretanto, ele admite que não tem certeza se conseguirá os 67 votos necessários entre os 100 membros do comitê para faze com que isso aconteça.

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