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"Acordo com o FMI chega tarde, mas será bom para Angola", diz Carlos Rosado de Carvalho

  • Alvaro Ludgero Andrade

Carlos Rosado de Carvalho

Carlos Rosado de Carvalho

Economista considera que acordo vai garantir credibilidade e transparência à economia angolana.

O economista e director do portal Expansão Carlos Rosado de Carvalho considera que o pedido do Governo de Angola ao FMI vem com muito atraso e lembra que há um ano defendeu um acordo com aquela organização.

“A falta de credibilidade de Angola é o grande problema que o país enfrentar e que poderá ser superada com este acordo com o FMI, que vai impor um padrão de comportamento que ele próprio irá monitorar, dando assim garantia aos investidores e ao mercado internacional”, explica o especialista.

Rosado de Carvalho considera que mais do que dinheiros, “este tipo de acordos dão credibilidade porque o Governo apresenta um programa e compromete-se a cumpri-lo porque é avaliado e monitorado pelo Fundo Monetário Internacional”.

Com o futuro acordo, Angola passa a ter acesso a fundos, ao mesmo tempo que o Governo terá de seguir uma série de medidas sobre as quais parece haver consenso no país.

O acordo pode ter a duração máxima de quatro e, nas contas de Rosado de Carvalho, pode chegar a um montante de até 850 milhões de dólares para Angola.

Para aquele especialista, além do dinheiro que entrará nos cofres do Estado, este terá de fazer cortes no já deficiente orçamento.

A questão saber como serão esses cortes.

“Na minha opinião haverá cortes em todos os sectores, a grande questão, no entanto, é saber onde se vai cortar mais ou menos”, assinala Carlos Rosado de Carvalho

Instado se, além de poder ajudar a melhor a gestão do país, por outro, não irá afectar as classes mais vulneráveis, aquele especialista considera que, no caso de Angola, o FMI tem-se preocupado mais com aqueles classes do que o Governo.

A título de exemplo, Rosado de Carvalho lembra que quando o FMI exigiu o aumento dos preços dos produtos petrolíferos devido ao fim dos subsídios, defendeu um programa que beneficiasse as camadas mais vulneráveis e mais afectadas por esse aumento, “mas o Governo não o fez”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou nesta quarta-feira, 6, ter recebido "um pedido formal das autoridades angolanas para que sejam iniciadas discussões sobre um programa económico que possa ser apoiado pela assistência financeira”.

Antes, o Ministério angolano das Finanças afirmou ter feito o pedido com “o objectivo de desenhar políticas macroeconómicas e reformas que restaurem o crescimento económico forte e sustentável, fortalecer a moldura institucional que suporta as políticas económicas, lidar com as necessidades da balança de pagamento, e manter um nível adequado de reservas internacionais”.

As negociações entre Angola e o FMI devem começar já em Abril nas chamadas Reuniões de Primavera da organização que acontecem no final da próxima semana em Washington.

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