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Académicos lusófonos à procura de maior cooperação

  • Maria Cláudia Santos

Vista de Belo Horizonte

Vista de Belo Horizonte

A conferência a decorrer no Brasil foca principalmente o papel das universidades na cooperação e no desenvolvimento económico.

Formar profissionais com visão de mundo e do futuro é um dos grandes desafios em comum dos países lusófonos. A declaração foi feita pelo presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa, Jorge Ferrão, durante o encontro que decorre esta semana no estado brasileiro de Minas Gerais.
O evento discute, principalmente, o papel das universidades na cooperação e no desenvolvimento económico. Ao lado de vários representantes da área de educação, o presidente da AULP lembrou que é preciso formar profissionais em condições de lidar com a posição que os países de língua portuguesa têm adquirido no cenário mundial.

“Nos últimos 10 anos, 50% das descobertas de recursos energéticos, como petróleo e gás, aconteceram em países de língua portuguesa. A nossa região tem uma importância estratégica vital para o mundo. Por isso, a liderança nesses países precisa de ser visionária. Temos que formar líderes visionários, não podemos apenas formar técnicos, mas pessoas com visão de futuro, de liderança para suportar todo o movimento desses países,” afirma.

“É preciso formar capital humano. Se não tivermos gente formada para gerir e lidar com esses recursos, então não teremos resolvido nada,” completa Ferrão.
O evento, em Belo Horizonte, conta com nomes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

O encontro de tantos representantes da área da educação serviu, também, de palco para repercussões sobre o recente anúncio do programa brasileiro que vai financiar 45 projetos, de 20 universidades brasileiras, na área da educação superior na África.
O presidente da AULP avalia que o investimento vem em boa hora. “Ele complementa todo o conjunto de ações do Brasil em relação à África, sobretudo, a África de expressão portuguesa. Esse investimento é oportuno e vem na sequência de um investimento anterior que o Brasil tem estado a fazer de formar muitos técnicos desses países aqui no Brasil”.

Mas, nem tudo são elogios ao Brasil. Para o presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa, o governo brasileiro ainda precisa mudar a postura quando se trata de projetos nos países africanos. Ele explica como, por exemplo, o país deixou a desejar, nesse episódio mais recente.

“Faltou comunicação. O Brasil precisa aprender a lidar com isso. Por muita boa vontade que tenham para fazer o por muito boa vontade que tenha para fazer financiamentos, é preciso encontrar modelos de informar a sociedade, hoje com pessoas mais cultas, mais habilitadas a entender processos internacionais e disseminar essa informação no máximo,” critica. “Porque não vale à pena pensarmos que colocar o dinheiro à frente resolve o problema. Já não é dinheiro que a gente carece. Carecemos de projetos que sejam solidários, que tenham participação de todos e que tenham resultados e benefícios para todos”, encerra.
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