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A evolução da imagem de Nelson Mandela nos Estados Unidos


Nelson Mandela e George Bush Sr.

Nelson Mandela e George Bush Sr.

À hora da sua morte, Nelson Mandela, era uma personalidade tão admirada nos Estados Unido como no resto do Mundo. Mas, nem sempre foi assim. A sua imagem nos Estados Unidos sofreu uma evolução de comunista a herói antiapartheid.

O antigo presidente americano John F. Kennedy afirmou em 1962 que os Estados Unidos apoiavam um extraordinário grupo de líderes africanos na construção dos novos países recém-independentes.

“ Este tem sido um continente desconhecido para nós visto que foi dominado pela Europa. Agora está a haver uma abertura e queremos participar nela. Não temos interesses obscuros. Não temos uma grande história comercial. Não temos historial de exploração. Apoiamos os esforços das Nações Unidas em África. Queremos que eles sejam independentes.”

Contudo apesar da aproximação aos líderes da Argélia, do Gana e da Guiné o Congresso Nacional Africano de Nelson Mandela não estava incluído.

O regime sul-africano de então, em plena guerra fria, era o principal parceiro comercial africano dos Estados Unidos garantindo abastecimentos contínuos de urânio, com portos seguros para a marinha de guerra americana e com 4 estações de rastreio e mísseis. Na altura o secretário de estado americano Dean Rusk opunha-se a sanções económicas temendo que o enfraquecimento do governo de minoria branca pudesse levar a uma infiltração comunista na África do Sul.

O presidente seguinte, Lyndon Johson, manteve essa postura anticomunista apesar do então senador Robert Kennedy se ter encontrado com o banido líder do ANC, Albert Luthuli, e depois de ter discursado na Universidade da Cidade do Cabo falando de injustiça e de esperança.
Durante as administrações de Nixon e de Ford, o valor do regime de aparteid como bastião na luta contra o comunismo foi reforçado pelo apoio de Mandela a Fidel castro e pelo envio de 30 mil soldados cubanos para Angola que conseguiram impedir uma ofensiva sul-africana em direcção a Luanda.

Quando as tropas sul-africanas invadiram Angola, disse na altura Fidel Castro, os cubanos não podiam ficar parados sem fazer nada.
Posteriormente, Cyrus Vance, o secretário de estado do presidente Jimmy Carter, liderou uma delegação das Nações Unidas que se deslocou em 1978 a Pretória depois da África do Sul ter anexado a Namíbia. Na ocasião, a administração Carter apertou o embargo de armamentos mas continuou a opor-se a sanções económicas.

Mais tarde o presidente Ronald Reagan afirmou que se os Estados Unidos eram capazes de negociar com a Rússia também eram certamente capazes de negociar com um país amistoso como a África do Sul, um país estrategicamente essencial para o mundo livre pelas suas riquezas minerais.

Contudo os protestos anti-aparteid continuavam a aumentar nos Estados Unidos e o Congresso conseguiu ultrapassar o veto do presidente Reagan às sanções económicas.

Com a libertação de Nelson Mandela da prisão em 1990, o então presidente George Herbert Walker Bush convidou o antigo presidente sul-africano Frederik deKlerk para visitar a Casa Branca para demonstrar o apoio americano dos Estados Unidos a uma nova liderança mais realista em relação às mudanças politicas.

“ A libertação de Mandela é claramente um indício positivo. Acho que há mais por fazer. Mas aquilo que já foi feito merece o nosso apoio e apreciação”.

No entanto os líderes do movimento anti-aparteid aqui nos Estados Unidos opuseram-se a essa visita, a primeira de um presidente sul-africano. Segundo o activista Randall Robinson, o presidente Bush estava a ira depressa demais.

“ Pedimos-lhe que seja consistente com a atitude prévia americana sobre esta questão e com as nossas respostas a outros países liderados por tiranos deste calibre.”

O trabalho de Mandela em prol da reconciliação nacional e a sua eleição para a presidência da África do Sul em eleições totalmente livres, fizeram dele , nas palavras do presidente americano Bill Clinton, um herói através do Mundo.

“ Durante muito tempo o nome de Nelson Mandela esteve associado á procura da liberdade. O aparteid não conseguiu silenciá-lo. E, quando foi libertado os americanos que lutaram pela justiça na África do Sul regozijaram-se.”

Mais tarde o presidente George W. Bush recebeu Mandela na Casa Branca considerando-o um símbolo de coragem e mais recentemente o actual presidente americano Barack Obama afirmou que a vida de Nelson Mandela é um padrão a seguir na procura de melhorar as vidas de todos os seres humanos através do Mundo.
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