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A África no Século Dezanove ao Encontro da Europa - 2004-05-24


A leste do Oyo estava o Benim dos Edos, dois estados vizinhos ligados por laços históricos comuns de origem no centro da irradiação primordial das suas tradições, no Ile-Ife, a Casa Grande da grande família dos estados yorubas.

O Benim, porta ainda por onde começaram os Portugueses as suas primeiras explorações para o interior desta parte do continente à busca do lendário Preste João da Índia, no século quinze.

Foi assunto da nossa conversa passada o Benim antigo, a leste do estado Yoruba do Oyo, não o Benim conhecido até 1975 por Dahomé, Dahomé Agasuvi dos séculos antepassados, Dahomé colónia francesa desde a década dos 90 de 800, Dahomé, estado africano em 1960.

Não estamos a falar do Benim, metamorfose deste Dahomé. Mas do Benim Ogiso, dos povos Edo, rival dos yorubas da história apesar das suas origens comuns no Ile-Ife, a Casa Grande, manancial das tradições das grandezas do Oyo. O Benim dos Portugueses também, a porta que tentaram os missionários e aventureiros de João e Manuel de Portugal - na busca da Índia, do Padre João, vulgo do Preste João da Índia, no interior pela boca do Niger adentro, atraídos já pela sofisticação que admiravam dos acabamentos culturais deste reino africano da costa do Golfo do mesmo nome e guiados por uma lenda empolgante de um mais poderoso ainda do que o do Benim, mais alem para o interior.

Esta não é uma referência por gosto de erudição impressionista. A verdade é que muito do que sabemos a respeito do reino dos Obas, apelativo histórico dos monarcas beninenses nos chega através das crónicas portuguesas e escritos da época, tais como a obra magna de Duarte Pacheco Pereira, o Esmeraldo de Situ Orbis e de António Galvão, Tratado dos Descobrimentos para citar apenas estes, e as aventuras de Afonso de Aveiro e para acrescentar o próprio topónimo ”Benim” diz-nos a nossa história que seria a deturpação oportuna do termo nativo ”beni-bini” residentes da água. ”Benim” na transcrita que estes caminheiros portugueses dos primeiros dias fizeram nas obras que nos chegaram até aqui. Para os ouvintes mais interessados nesta parte do parágrafo da nossa conversa compulsarem além do mais a obra monumental do Padre António Brasio espiritano monumental na verdade para todas as curiosidades e entusiasmos. Esta história nunca deixou de ter o sabor de uma epopeia que sempre foi. Na história do Benim, estamos muito em terra firme desde o século quinze por esta razão. Mas antes de mais nada a lenda.

A terra onde surgiu o reino do Benim era habitada pelos povos Efa, governados pelos monarcas da família Ogiso a quem faltava tudo, mais o carisma da boa governação da cidade. Os reboliços contínuos entre o povo fizeram com que a classe dos Uzama - as sete tribos principais do reino à maneira das sete tribos Oyo Mesi do Oyo das conversas passadas, enviassem emissários a Oduduwa do Ile-Ife para que lhes enviasse um príncipe, sábio na arte do governo dos povos.

Foi enviado o príncipe real Oranmyian acompanhado por um cortejo de pagens// representando os ofícios necessários para o bom andamento do reino que Oranmyian iria fundar entre os Edos do Benim. O Príncipe Oranmyian instalou-se num palácio construído a propósito desde logo tornado em santuário em que seriam coroados os futuros monarcas do Benim, não sem a oposição dos Príncipes Uzama. A história se repete, recordar-se aqui das relações, nem sempre cordatas - Oyo Mesi e Alafins do Oyo. Oranmyian se tomou para esposa uma princesa real Ogiso que lhe deu um filho a quem Oranmyian deu o nome de Eweka.

Oranmyian decide então abandonar o governo do reino ao Príncipe Eweka convencido que estaria assim em boas mãos por um príncipe local. Oranmyian foi enviado por Oduduwa a cumprir missão similar para o noroeste, paternizar mais um reino Oyo da fama da nossa história. Eweka//o ficou a consolidar as bases da nova dinastia do Benim. Os laços de paternidade entre o Ile-Ife e o Benim passaram a ser lembrados desde logo na tradição, pela trasladação do corpo outras tradições referem de um elemento do corpo - a cabeça do monarca defunto, do falecido Oba do Benim - para sepultura no santuário dos seus antepassados no Ile-Ife tradição que lembra o período das migrações frequentes entre Yorubas do noroeste e Edos da costa atlântica, dois ou três séculos talvez antes do encontro com os Europeus. Os Portugueses da nossa história.

Conflitos de autoridade entre os descendentes de Oranmyian da linha de Eweka e os Príncipe Uzama, tiveram desde o inicio a mesma intensidade da que encontramos entre os Oyo Mesi e os Alafins yorubas do Oyo. Todavia, os Edos parecem ter achado uma solução mais cedo evitando a crise institucional que prostrou o estado vizinho o Oyo nos séculos cruciais antes da ocupação colonial. A maior revolta aqui no Benim foi a do terceiro descendente de Eweka, o rei Ewuare que matou o irmão mais novo no trono instaurando uma monarquia absoluta a exigir obediência incontestável de todos, o estado que os Portugueses descrevem nas suas obras e a tradição nos fez chegar até aqui. Voltaremos.

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