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Campanha Presidencial ao Rubro na Guiné Bissau

  • Scott Sterns

Na Guiné-Bissau, os candidatos presidenciais estão a efectuar a campanha eleitoral em todo o país, com os olhos postos nas eleições de domingo. São, ao todo, 11 candidatos concorrentes ao lugar de chefe de Estado.

Apoiantes do candidato do partido no governo, Malam Bacai Sanhá, nos arredores da capital, prometendo uma grande afluência numa zona o seu principal rival, o candidato da oposição Kumba Yalá, ganhou há nove anos atrás.

Num país com menos de dois milhões de pessoas, a campanha é, muita das vezes, disputada em territórios confinantes. Cartazes de candidatos rivais podem ser vistos lado a lado no mesmo prédio e as sedes de campanha podem situar-se, frente a frente, na mesma rua, competindo em termos de quem consegue fazer soar mais altos os seus slogans.

No fim da mesma rua onde está a decorrer este comício, apoiantes do candidato independente Henrique Rosa afirmam que ele se preocupa com a população pobre do país. Os apoiantes de Sanhá passam empoleirados na caixa de um camião, fazendo referência "Tempo de Mudança".

Trata-se de uma provocação eleitoral relativamente benigna que é correspondido pelos apoiantes de Henrique Rosa, num país que, desde a sua independência em 1974, assistiu a uma série de mudanças violentas.

As eleições do domingo próximo visam escolher o sucessor do presidente Nino Vieira, que foi assassinado alegadamente por soldados amotinados, em Março deste ano, depois do seu principal rival ter morrido num atentado bombista.

No início deste mês, o candidato presidencial Baciro Dabó foi morto por forças de segurança do Estado, que o acusaram de estar envolvido numa tentativa de golpe, resistindo a ser preso. Os familiares de Dabó dizem que ele foi morto na sua cama.

A intervenção dos militares na política é, em larga medida, uma herança da luta contra o colonialismo português. Muitos analistas políticos na região afirmam que os militares consideram que a luta de libertação lhe confere mais legitimidade que o poder que os políticos obtêm, através das eleições.

A reforma do sector da segurança é uma das prioridades recomendadas pelo Grupo Internacional de Contacto para a Guiné-Bissau, um grupo que inclui países da SADEC, da ONU e da CPLP.

Vladimiro Monteiro é o responsável pelo sector da informação da ONU, em Bissau. Disse ele à VOA:

"Existe uma ligação entre os actores políticos que estão a manipular os militares. Alguns militares tiram proveito da sua posição de força e tentam obter algo em troca. Mas, o que vemos é a Guiné-Bissau a perder devido a esta dependência, a esta combinação entre os dois lados."

Vladimiro Monteiro afirma que os políticos deviam sair dos quartéis e os militares deveriam responsabilizar-se apenas em proteger a soberania nacional da Guiné-Bissau e servir de forças regionais de manutenção da paz. Diz Monteiro: "Pensamos que será uma oportunidade de debate para colocar todos os actores políticos e mesmo para a sociedade civil. Porque estamos a falar de reconciliação e este processo de reconciliação ainda não começou. E pode ser que estas eleições constituam uma ajuda".

Monteiro disse que a reforma do sistema de segurança tem tanto a ver com a definição das responsabilizações pela violência passada como com a criação de uma plataforma de um futuro mais pacífico:

"Na Guiné-Bissau, temos tido muitos assassinatos. E não é normal num Estado democrático quando se quer respeitar o primado da lei e os direitos humanos e um grupo vai e mata o presidente e ninguém é responsável. E isto é muito importante".

A CEDEAO quer uma investigação independente à violência política ocorrida este ano. Em Bissau foram estabelecidas duas comissões de inquérito para averiguar os factos. Diz Vladimiro Monteiro que cabe à Guiné-Bissau apresentar à Justiça os responsáveis pelos assassinatos.

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