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As Dificuldades em Investir na Guiné-Bissau


Na Guiné-Bissau, como na maioria dos países africanos, não é fácil fazer negócios. Entre os obstáculos estão a falta de uma legislação clara, a persistente corrupção, a instabilidade política e a carência de infra-estruturas.

Yves Robles tem gerido a sua empresa de água mineral “Naturalis” desde o ano passado. Diz ele que gastou um milhão de dólares para a conclusão da fabrica de engarrafamento e que ainda não teve lucros. O empresário pretende expandir as suas acções e passar a engarrafar vinho e sumos de frutas.

Actualmente a fabrica funciona apenas a 30 por cento da sua capacidade. Robles diz que o maior problema e despesa têm sido a electricidade. A empresa estatal de electricidade ainda usa equipamentos do período da colonização portuguesa e, por causa disso, metade do país ainda vive com a falta de energia eléctrica.

O gerador da empresa de Robles gasta, diariamente, 200 litros de combustível, o que equivale a milhares de dólares a menos de lucro por mês.

Apesar do governo ter em curso investimentos no sector, incluindo um projecto regional para uma barragem hidroeléctrica envolvendo a Gâmbia, Guiné-Conackry e o Senegal, estes não serão suficientes para acabar com a carência de electricidade. E Robles diz que isso não será suficiente aos olhos dos accionistas da sua empresa, que deram mais cinco anos para começar a ter lucros.

Robles diz ainda que os inspectores do governo costumam visitar a sua fábrica a qualquer momento, exigindo o cumprimento das regras, como a regulação de temperaturas para o armazenamento das águas engarrafadas. Diz ele que, por causa dos problemas eléctricos, é difícil manter uma temperatura regular nos armazéns. Mas, pagando subornos aos inspectores, a companhia pode continuar a sua produção. Mas Robles acrescenta que os inspectores são mudados mensalmente e a companhia tem sempre que pagar outra vez.

O governo tem apelado aos investidores para a construção de fábricas, de investimentos florestais, de desenvolvimento nos sectores das pescas e do caju, no sentido de melhorar os rendimentos internos.

A exportação do caju, que é vendida a companhias indianas e brasileiras, é o principal produto gerador de receitas.

Romain Boitard, um voluntário internacional que trabalha com a sociedade civil diz que o processamento do caju poderia ser benéfico para a Guiné-Bissau, se não houvesse imposto tão altos e outras dificuldades com que os investidores se confrontam. Diz Botard: “Para um investidor iniciar um negócio aqui, ele realmente tem que ser aventureiro. Além de envolver meios em equipamentos, você precisa secar, torrar, e arejar o cajú, até que este esteja bom e que sinta bem ao comê-lo. Vai precisar de máquinas. E, se importar uma, poderá levar meses a desalfandegá-la. Isso torna difícil para quem quer que seja com boas ideias, para levar a cabo quaisquer empreendimentos.”

Boitard comenta que o porto da capital não opera regularmente, sendo, por isso, mais um entrave para o investidor.

Segundo a Fundação americana Heritage, iniciar um negócio na Guiné-Bissau tem uma espera cinco vezes mais demorada do que a média mundial, que é de 43 dias.

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