Links de Acesso

Bemba Recusa-se a Abandonar o Exílio em Portugal


O principal partido da oposição congolesa, o Movimento de Libertação do Congo, apelou para uma solução política para o regresso do seu líder, Jean Pierre Bemba, que se encontra em Portugal desde Março passado, depois de confrontos em Kinshasa entre apoiantes seus e soldados governamentais, recontros que se saldaram pela morte de centenas de pessoas.

Jean Pierre Bemba, que foi eleito senador depois de ter perdido as históricas eleições de 2006, conseguiu que o Senado lhe concedesse uma baixa médica de 60 dias para receber tratamento em Portugal. Essa foi pelo menos a versão oficial apresentada na altura. Muitos observadores salientam que se tratou da melhor maneira que encontrou na ocasião para salvar a cara.

Bemba deixou o Congo a 11 de Abril depois de ter passado quase três semanas asilado na embaixada sul-africana em Kinshasa. Na altura Bemba queixou-se de que tropas leais ao presidente Joseph Kabila estavam a tentar assassiná-lo. O prazo limite previsto para o seu regresso ao Congo terminou, entretanto, no sábado passado. Um dos seus conselheiros disse, durante o fim de semana, à VOA que não estavam ainda reunidas as condições de segurança necessárias para permitir o seu regresso a Kinshasa. Numa declaração emitida no fim de semana, o Movimento de Libertação do Congo, o MLC, afirmou que o regresso de Bemba era essencial para a consolidação da jovem democracia congolesa, que realizou no ano passado as suas primeiras eleições democráticas em mais de quatro décadas. No entanto, Kabila e o seu governo têm vindo a acusar Bemba de estar na origem da violência no país. Em Março passado, um magistrado público chegou mesmo a pedir que o Senado retirasse a imunidade de que Bemba desfruta na sua qualidade de senador, de modo a que pudesse ser julgado como o autor intelectual da violência.

No entanto, o Senado congolês, que realizou a sua primeira sessão no final do mês passado, ainda não se pronunciou sobre o assunto. Recusando-se a cumprir com o prazo de 60 dias que lhe foi dado, Jean Pierre Bemba arrisca-se, assim, a perder o seu lugar no Senado e a imunidade que lhe é inerente.

XS
SM
MD
LG