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Cidadania e Residência Mais Caras


Cidadania e Residência Mais Caras

Cidadania e Residência Mais Caras

Segundo o Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush o objectivo da reforma da imigração é ”tirar das sombras” milhões de imigrantes ilegais e oferecer-lhes um caminho para a obtenção da residência legal e eventual cidadania. Mas enquanto o presidente defende esta reforma, os Estados Unidos põe em vigor o maior aumento de sempre naquilo que se paga pelo processo de residência e cidadania...muitos dizem que a administração envia assim mensagens contraditórias a uma comunidade muitas vezes receosa e vulnerável.

Para os que chegam aos Estados Unidos, quer legal quer ilegalmente, o custo para concretizar o sonho americano vai subir. O Departamento de Cidadania e Imigração duplicou, e em alguns casos triplicou mesmo, os seus preços. A partir de 30 de Julho, o preço para adultos que procuram obter a residência ultrapassará os mil dólares; pedir a cidadania custará perto de 600 dólares.

Alguns dizem que preços de aplicação mais elevados mina os objectivos públicos de Bush quanto à imigração. Crystal Williams é vice-directora da Associação dos Advogados Americanos da Imigração: “Numa família, conseguir mil dólares por pessoa para pedir a residência permanente vai levar a que muitas pessoas não o façam”,diz Williams.

Ela acrescenta que os novos preços poderão constituir uma enorme dificuldade financeira que forçará inúmeros imigrantes pobres a adiar apresentar os pedidos -- e poderá levar mesmo alguns a desistir.

Mas responsáveis do Departamento de Cidadania e Imigração notam que a agência não recebe qualquer subsídio federal para processar os pedidos. Os custos são cobertos inteiramente pelo dinheiro dos emolumentos. Acrescentam que a menos que esses emolumentos reflictam os custos actuais, ou os serviços prestados terão que ser reduzidos e os tempos de espera para processamento dos pedidos irão aumentar. Chris Bentley, porta-voz deste Departamento, diz: Sabemos que de cada vez que os preços aumentam há um custo extra para as pessoas. Contudo, para podermos continuar a fornecer bons serviços, para podermos fornecer esses serviços atempada e adequadamente às pessoas que deles precisam, precisamos dos recursos para que assim aconteça.”

Bentley acrescenta que os refugiados e os que procuram asilo continuarão exemptos de pagar, enquanto alguns dos emolumentos podem ser reduzidos para candidatos a nacionalidade ou à residência que façam face a grandes dificuldades económicas.

Mas se o Departamento de Cidadania e Imigração está dependente do que cobra pelos seus serviços, então é altura para mudar o sistema, segundo Donald Kerwin, da Rede Católica da Imigração Legal: Cidadania é um bem nacional. É importante para o nosso país. Pelo que pensamos que para reparar o sistema, reduzir os atrasos e melhorar a tecnologia precisa-se de destinar fundos federais para estes serviços. Precisa ser um sistema que não dependa do pagamento feito pelas pessoas que precisam dos seus serviços.”

Mas alguns no Congresso contrapõem que seria errado mudar o peso financeiro para os contribuintes americanos. Steven King, congressista americano do Iowa, diz que os novos preços continuam aquém daquilo que os imigrantes ilegais pagam aos que os transportam para os Estados Unidos, através da fronteira com o México: Vimos o preço que se paga aos contrabandistas de pessoas aumentar para mil e 500, dois mil e 500 por pessoa. E eu não vejo que o que se paga ao Departamento de Cidadania e Imigração seja assim tão alto. Pelo que se é mais barato o processo de cidadania do que o de entrada ilegal nos Estados Unidos, então, em comparação, não acho que o que se paga seja assim tanto.

Os responsáveis de imigração também defendem um sistema de pagamento de emolumentos, porque lhes dá mais flexibilidade de gastos, uma vez que os lucros aumentam em proporção com os pedidos. Anteriores aumentos, notam, não resultaram na diminuição drástica dos pedidos de cidadania e residência legal.

Os que advogam a favor dos imigrantes contrapõem que os actuais aumentos são maiores que os anteriores, e que os estudos mostram que a percentagem dos que se candidata à cidadania tem diminuído nas últimas décadas.

As opiniões variam dependendo dos interesses, mas os que defendem os imigrantes dizem que tornar o processo mais dispendioso apenas contribuirá para que as pessoas deixem de procurar legalizar o seu estatuto ou pedir a cidadania.

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