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Angola Em Relevo No Museu De Virgínia


Angola está em relevo em novas galerias do museu de Jamestown no estado norte-americano da Virgínia, localidade aonde em 1607 chegaram os primeiros colonos ingleses dando assim o primeiro passo para a história do que viriam a ser os Estados Unidos.

A amostra em exibição no museu atesta que os primeiros africanos a chegarem à América do Norte foram angolanos.

O novo museu mostra como três culturas totalmente diferentes entraram em choque e em cooperação no estado de Virgínia: a cultura europeia, a dos índios americanos, e finalmente a dos escravos angolanos. O primeiro grupo de angolanos chegou a Jamestown em 1619 levados por piratas ingleses que os haviam capturado a bordo de um navio português que seguia para o México.

Na apresentação das novas galerias do museu foi exibido um filme de pouco mais de 23 minutos com cenas filmadas em Luanda descrevendo a partida dos escravos. Toda esta cena teve como protagonistas actores angolanos tendo Valéria Mussunda feito o papel de Angela, uma das primeiras angolanas a chegar a Virgínia, cuja origem e nome constam do registo históricos.

Os responsáveis do museu disseram que mais do que a escravatura, a exposição procura mostrar a cultura e vida das populações do que é agora Angola, e que foram trazidas para a América.

Uma das exibições retrata a vida numa aldeia angolana. Thomas Davidson conservador do museu disse à Voz da América que a cena foi filmada em território angolano.

“Esta cena é baseada em locais autênticos de Angola que nós recolhemos quando visitamos Angola há alguns anos. Regressamos de Angola com fotografias e muita informação fornecida pelos angolanos. Hoje está aqui. Com isso podemos mostrar como é que um ”ndonga” vivia em 1600 pouco antes dos intensos conflitos com os portugueses”.

O museu reserva à rainha Ginga um papel importante. Uma das alas dedicada à presença de africanos em Virgínia é dominada por uma estátua desta soberana angolana. O seu papel de soberana de uma região que vendeu e que teve os seus súbditos feitos escravos merece relevo.

Um rodapé diz que Rainha Ginga foi a soberana do reino do Ndongo entre 1624 e 1663. A legenda da estátua recorda ainda que a rainha Ginga foi embaixadora do seu irmão, rei Ngola Mbanda, junto dos portugueses e converteu-se ao catolicismo assumindo o nome de Ana de Souza.

Mais tarde já soberana aliou-se aos imbangalas para combater os portugueses. Em 1656 assinou um tratado de paz com os portugueses.

Linda Haywood professora da Universidade de Boston, e especialista em história de Angola disseram que para se conhecer os povos envolvidos neste período da história americana é necessário dar a conhecer mais do que a história da escravatura. Haywood está a escrever uma biografia sobre a rainha Ginga tida por ela como sendo uma figura gigante da história africana.

”Foi o povo de Ginga que veio para Virgínia. Ela é uma figura muito importante para a independência. Não só tomou o poder como ofereceu grande resistência aos portugueses. O seu nome, a sua trajectória enchem de orgulho os descendentes de africanos como eu. As pessoas tendem a pensar sobretudo em escravos, quando não devemos perder de vista que há uma outra história. Angola tem na rainha Ginga uma figura ”.

Expressando-se em bom português, Linda Haywood que é também uma das conselheiras do museu de Jamestown, disse que a vida de Ginga está muito bem documentada, pelo que não é difícil trabalhar na sua biografia.

“É fácil porque o arquivo histórico ultramarino de Lisboa tem tudo”.Documentos de antigos governadores de Angola, de missionários que foram para Angola e de outros. Encontrei outras coisas em Roma; no Brasil para onde viajei também havia documentos incluindo letras de músicas que nos recordam as congadas. Há documentos escritos, peças da tradição oral, enfim muita informação’.

João Santarita, Voz da América, em Jamestown, Virgínia

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