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Oposicao senegalesa contesta Wade


O governo do Senegal insiste na defesa da decisão de detenção do líder da oposição, acusado de incitamento a violência.

Mas tanto a oposição com os activistas dos direitos humanos alegam que essa detenção vem provar que a liberdade de expressão esta ameaçada no Senegal, precisamente um dos países que esteve na origem da fundação do Nepad, a iniciativa africana que tem promovido a boa governação no continente.

Ontem e numa declaração publica, o ministro das comunicações do Senegal, disse que as instituições democraticas nao podem tolerar o que considerou de ataques que podem levar ao caos.

Para aquele governante senegales, declarações semelhantes ao proferido pelo líder da oposição, são atentatórias a coesão e a unidade nacional no pais.

O líder da oposição, Abdourahim Agne, que padece de problemas cardíacos encontra-se sob custodia das autoridades policiais, num hospital para onde fora levado para receber tratamento medico e onda aguarda julgamento.

De acordo com o ministro da justiça, Cheikh Tidiane, no seu discurso proferido na ultima semana, na cidade de Kaoloack, Abdourahim Agne na qualidade de líder da oposição minoria, exortou os manifestantes a seguirem o exemplo da Ucrânia, isto numa clara referencia as manifestações que naquele pais do leste da Europa, levaram a anulação das fraudulentas eleições.

Ibrahim Kane, jurista senegales ligado a organização activista dos direitos humanos, o grupo Inter Rights baseado em Londres, revelou que aquele líder da oposição foi acusado com base no polemico artigo 80 da constituição senegalesa.

Kane adiantou ainda que o presidente do Senegal, falhou ao não propor a anulação desse mesmo artigo constitucional como teria prometido durante a campanha eleitoral que o levou a presidência do pais, dispositivo legal esse que proíbe ameaças a ordem publica e que foi usado no passado para silenciar o criticismo.

“Quando este governo assumiu o poder, um dos seus principais objectivos era a alteração dessa legislação. Mas, depois de cinco anos, o diploma legal continua ainda a existir. Portanto as pessoas estão a instrumentalizar a lei, para silenciarem os seus opositores”, disse Kane.

O presidente senegales Abdoulaye Wade esteve envolvido na criação da chamada Parceria Estratégica para o Desenvolvimento de África, conhecida pela sigla Nepad, uma iniciativa que visa a promoção da recuperação económica do continente com base em reformas democráticas.

Neste particular e para o advogado e activista dos direitos humanos, Ibrahim Kane, a realidade não abona em nada a favor do continente africano no seu todo, quanto mais não seja pelo facto do Senegal estar a desempenhar um papel fulcral no quadro da iniciativa.

“O regime do presidente Wade esta agora a tentar minar o sistema democrático que temos no pais. E isso e realmente um mau sinal para a democratização dos países africanos. O Senegal e visto como um desses paises que poderiam eventualmente apoiar aqueles que ainda estão no processo de mudança de ditaduras. Mas se o Senegal se comporta desta forma, pergunto eu, para onde vamos afinal ?”, questiona-se Kane.

De salientar que um realizador cinematográfico conhecido pelas suas posições criticas contra o presidente Wade, viu recentemente interditada a sua saída do pais, enquanto lideres da oposição denunciam o clima de impunidade reinante, face a ataques que membros seus teem sido alvos no pais.

Recentemente milhares de apoiantes da oposição saíram as ruas na capital senegalesa, Dacar, para uma rara manifestação de protesto contra as políticas do presidente Abdoulaye Wade.

Esta situação levou igualmente a uma serie de dissidências internas no partido de Wade, isto com as eleições legislativas e presidenciais agendadas respectivamente para 2006 e 2007.

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