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Os jornalistas filipinos


Meio dia na cidade de Dipolog, no sul das Filipinas. Num calor sufocante, trabalhadores e estudantes montam nas bicicletas para irem almoçar a casa – e escutar o apresentador de radio Elmer Elmidulan.

Trata-se de um programa de hora e meia, denominado “Katin-awan” ou seja “Esclarecimento”, programa em que regularmente critica as autoridades governamentais locais.

As criticas custaram-lhe a ira dos visados ...

“Recebi varias ameaças de morte, e neste momento sou objecto de uma acção por difamação por parte dos elementos dos legisladores da província.”

Elmidulan um de dezenas de jornalistas filipinos que tem sido ameaçados, e com frequência alvo de violência, por desempenharem a sua profissão.

Pelo menos 15 jornalistas foram mortos nos últimos dois anos. Ao contrario de muitos outros países, os filipinos que trabalham para as cerca de setecentas estações de radio nacionais, meia dúzia de redes de televisão nacional, e numerosos jornais tem a liberdade de investigarem as suas historias.

Vincent Brossel, da organização Jornalistas Sem Fronteiras, sublinha que esta liberdade pode criar inimigos.

“Quando existe liberdade de imprensa, existem criticas as autoridades, ao crime organizado e a grupos religiosos. Todos estes grupos de interesse tentam pressionar, incluindo fisicamente, os jornalistas, sendo o que acontece nas Filipinas.”

A maioria dos assassinatos ocorre nas províncias, especialmente no sul onde operam grupos de criminosos e de rebeldes. A vida não e cara , e a pobreza abjecta torna fácil encontrar-se alguém disposto a matar por cerca de uma centena de dólares.

A maioria dos jornalistas assassinados estava a acompanhar assuntos do governo, situação que nas províncias se complica por causa da corrupção.

Muitas das vitimas eram comentaristas da radio, que tinham tido coragem suficiente para desafiar o sistema – de tal forma que apresentadores populares como Elmidulan se transformaram no ultimo recurso para aqueles que necessitam desesperadamente de ajuda.

Aqueles que procuram protecção de autoridades abusadoras ou corruptas, ou procuram ajuda na apresentação de acções judiciais contra autoridades e aqueles que procuram justiça para os familiares na cadeia telefonam com frequência para a estação de radio local a pedir conselho.

Elmidulan refere que tenta acompanhar o desenvolvimento de alguns casos, mas que se sente frustrado quando não acontece nada.

Alguns jornalistas admitem que a ausência de Ética profissional contribui para os ataques. Bossel, dos Jornalistas Sem Fronteiras sublinha que alguns jornalistas filipinos ultrapassam os limites da liberdade de imprensa.

“A radio local é por vezes muito critica, atacando muita violência, algumas vezes no limite do que chamamos de ética normal do jornalismo. Todavia não é razão para se matar um jornalista.”

A União Nacional dos Jornalistas nas Filipinas e outras organizações de media iniciaram a nível nacional treino sobre segurança e ética, e abriram uma linha de urgência para os jornalistas que se sintam ameaçados.

Os jornalistas filipinos são defensores acérrimos da sua liberdade, tenho lutado com vigor para a alcançar após as décadas de repressão dos anos 70 e 80, sob o regime do antigo ditador Ferdinand Marcos.

Muitos consideram ser essencial apresentar a justiça àqueles que visam os jornalistas, por que estão igualmente a atentar contra a democracia.

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