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Angola Fala Só - Scoth Cambolo: "Para liderar é preciso falar com o povo"

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Scoth Cambolo

Scoth Cambolo

"Quando é a altura de plantar chamam-se todos, mas no dia da colheita a minoria de fato e gravata é que leva quase tudo", disse no Angola Fala Só na edição de hoje, 29, o professor e músico Scoth Cambolo.

Cambolo, que é professor na Universidade Metodista de Angola e faz parte do grupo de música Rap “Os Perspikuidade”, fez notar que os problemas de Angola se devem muitas vezes à falta de diálogo entre Governo e governados e à incapacidade de pôr em prática os projectos elaborados nos gabinetes.

“Temos que sair dos projectos para a acção”, disse o professor.

A questão do nível de educação em Angola foi um dos pontos mais abordados pelos ouvintes, com muitos deles queixarem-se da falta de qualidade do ensino.

“Os estudantes que saem das escolas católicas sabem ler e escrever em condições”, reiterou o professor Cambolo, para quem isto significa que as escolas do Estado “têm problemas” porque não conseguem manter esse nível.

Um dos maiores problemas, disse , é o enorme número de alunos em cada sala de aula. Cambolo citou salas de aulas com 60 ou 70 alunos como exemplo disso e acrescentou que o Governo tem responsabilidades porque “não ouve os professores”.

Segundo aquele músico e docente, foram tomadas decisões unilaterais que têm consequências adversas, além da falta de material escolar, nomeadamente livros, o que obriga os professores a racionarem esses livros afectando os estudantes.

A admissão de professores foi um outro problema apontado pelo Professor Cambolo: “O concurso público é um fiasco".

O convidado do Angola Fala defendeu também a transmissão dos debates parlamentares ao vivo, afirmando que sem essas transmissões os angolanos “não sabem o que os seus representantes fazem à porta fechada”. Para Cambolo muita informação que é depois transmitida sobre os debates “é censurada”.

“Para se liderar e dirigir tem que se contactar com o povo”, defendeu o professor Cambolo que se insurgiu contra o facto de grande parte dos angolanos continuar a não ter acesso à agua e electricidade.

“Temos uma das maiores bacias hidrográficas”, disse, para perguntar: "Como é que há falta de água e luz?”.

Um dos ouvintes insurgiu-se contra o racismo dos europeus, o que levou a um diálogo sobre se também há ou não racismo dos angolanos.

Para o professor Cambolo qualquer sentimento anti-estrangeiro dos angolanos não se deve a racismo, mas sim a questões sociais.

“É chocante quando não há emprego para os angolanos, mas há para os estrangeiros”, disse.

Um ouvinte levantou a questão das celebrações em redor do aniversário do Presidente José Eduardo dos Santos.

Scoth Cambolo disse não se opor a que se assinale esse aniversário mas “devemos acautelar os excessos”.

"Gastam-se milhões em coisas inúteis” que poderiam ser usados na construção de escolas ou postos de saúde, concluiu o músico e professor universitário.

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